Decisão Importante do STF sobre Royalties
Na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) inicia o julgamento sobre a constitucionalidade de uma lei de 2012 que trata da redistribuição da arrecadação de royalties e participações especiais (PE) relacionados à produção de petróleo e gás. Essa decisão é fundamental para o futuro das contas públicas do Estado do Rio e de diversas prefeituras fluminenses.
A proposta de alteração, que está suspensa desde 2013 por uma liminar do STF, pode causar um rombo significativo nas finanças estaduais. Projeções apontam que a implementação das novas regras pode resultar em uma perda de cerca de R$ 21 bilhões por ano, um valor alarmante para as finanças já combalidas do estado.
Atualmente, a distribuição dos recursos favorece a União, além dos estados e municípios que possuem atividades de produção. O Rio de Janeiro, que representa a maior parte dessa produção — 88% do petróleo e 77% do gás em 2025, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) —, depende consideravelmente desses recursos. No ano passado, os royalties equivaleram a R$ 26 bilhões, um quarto da receita líquida do governo estadual, conforme dados da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz).
Para 2023, a expectativa é que essa receita atinja R$ 28,4 bilhões, mas se as novas regras já estivessem em vigor, o montante poderia despencar para R$ 18,5 bilhões. Essa diferença representa uma média de R$ 9 bilhões ao ano até 2032, correspondente a 9,3% da receita líquida total.
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Desafios Legais e Econômicos
Com o objetivo de contestar as perdas antecipadas, o Rio de Janeiro, juntamente com Espírito Santo e São Paulo, assim como a Alerj e a Abramt — associação de municípios que hospedam terminais de petróleo e gás — protocolaram cinco ações de inconstitucionalidade no STF em 2012. Todos os processos foram concentrados sob a relatoria da ministra Cármen Lúcia, que concedeu a liminar em 2013. Desde então, o julgamento esteve em espera, com algumas tentativas de retomar as discussões.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, agendou a continuação desse julgamento para a sessão desta quarta-feira, gerando expectativas em diversas esferas. Contudo, o impacto da decisão será imediato e profundo, principalmente para o funcionamento dos serviços públicos.
O orçamento do Rio já previa um déficit de R$ 19 bilhões para este ano, e as projeções para 2027 indicam um rombo de R$ 13 bilhões. O governador interino, Ricardo Couto, reconheceu a importância das taxas sobre a produção de petróleo, mencionando em reuniões que esses valores são cruciais para áreas como segurança pública, onde os recursos são utilizados para a compra de coletes à prova de balas e renovação de armamentos.
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Impacto na População e nos Municípios
A situação é preocupante, pois os royalties e a participação especial têm destinação específica, sendo direcionados a fundos como o Rioprevidência, que financia a folha de pagamento de servidores inativos. Essa estrutura financeira indica que, se as receitas diminuírem, os municípios terão dificuldade em garantir serviços essenciais em saúde, educação e segurança.
Luiz Césio Caetano, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), alertou que a nova regra de redistribuição pode resultar em uma perda anual de R$ 8 bilhões para o governo estadual e de R$ 13 bilhões para prefeituras, conforme um estudo da entidade. Para muitos municípios, os royalties representam uma parte significativa de suas receitas. Em Arraial do Cabo, por exemplo, 70% das receitas são obtidas por meio de royalties, enquanto em Carapebus esse número chega a 55%.
Frederico Paes, prefeito de Campos e presidente da Ompetro, enfatizou que quem mais sofrerá as consequências dessa perda será a população menos favorecida. Caetano também destacou que a deterioração nos serviços pode afastar investimentos e prejudicar ainda mais a qualidade de vida dos cidadãos.
Expectativas e Apreensões
Estudos apontam que a redução na arrecadação de royalties pode resultar em uma perda de R$ 20 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do Rio, afetando até 311 mil empregos. Antonio Florêncio Queiroz, presidente da Firjan, fez um apelo ressaltando que, enquanto os estados e municípios não produtores podem não se beneficiar da redistribuição, o Rio não pode arcar com essa perda, já que suas finanças são extremamente dependentes dessas receitas.
O cenário é alarmante, pois o governador eleito em 2027 pode se deparar com um déficit severo que dificultará ajustes nas contas. Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo, ressaltou que a redistribuição não resolverá os problemas enfrentados pelos novos governantes dos estados não produtores.
A discussão em torno dos royalties do petróleo é complexa e reflete uma crise estrutural que o Rio de Janeiro enfrenta há décadas. A necessidade de uma nova abordagem e gestão é evidente, mas as consequências de uma possível mudança na distribuição de royalties ainda estão sendo aguardadas com apreensão.

