Proposta de Redistribuição dos Royalties do Petróleo
Um grupo de estados e municípios que atualmente não recebem royalties do petróleo apresentou uma nova proposta ao Supremo Tribunal Federal (STF) visando a alteração na distribuição dos recursos provenientes da exploração do petróleo e do gás natural. Esta proposta surge em um contexto onde o estado do Rio de Janeiro, um dos principais produtores, estima perdas significativas que podem chegar a R$ 21 bilhões anualmente. O julgamento da questão está agendado para o próximo dia 6 de maio.
A Confederação Nacional de Municípios (CNM), junto a 19 estados, busca manter em vigor, pelo menos em parte, as mudanças na distribuição dos royalties, implementadas há 14 anos mas que foram suspensas pela ministra Cármen Lúcia. Os estados que atualmente se beneficiam da produção, como Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, não estão inclusos nesta nova proposta.
A importância desse tema é refletida em dados preocupantes. A Firjan, Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, revelou que o estado já renuncia a R$ 90 bilhões anualmente devido à tributação do petróleo em favor de outros estados. A redistribuição, se aprovada, pode agravar ainda mais essa situação, afetando a arrecadação pública e serviços essenciais.
Impactos da Redistribuição nos Recursos do Rio
A nova proposta levantou alertas entre entidades empresariais que temem o impacto negativo na arrecadação do estado do Rio. Estima-se que, caso a redistribuição seja mantida, o estado perderia cerca de R$ 8 bilhões por ano, enquanto os municípios enfrentariam uma perda de R$ 13 bilhões. Esse cenário foi amplamente discutido em uma nota técnica enviada ao STF pela OAB-RJ, que considera essa redistribuição prejudicial ao desenvolvimento social e econômico do estado.
Entre 2020 e 2025, estima-se que os municípios do Rio teriam deixado de arrecadar R$ 68,7 bilhões e o estado, R$ 48,3 bilhões, caso a lei que alterou a distribuição dos royalties estivesse em vigor. Os royalties atualmente representam aproximadamente 21,8% da arrecadação total do estado, e uma redistribuição exacerbaria a concentração dos custos da atividade petrolífera sobre os estados produtores, sem garantir uma receita equivalente.
Proposta e Expectativas Futuras
A proposta em questão sugere que os estados abdiquem da cobrança dos valores que deixaram de ser repassados entre 2013 e 2025 devido à medida cautelar, e exclui a Margem Equatorial, considerando a incerteza regulatória e ambiental. Além disso, o plano propõe uma implementação gradual dos novos percentuais durante um período de sete anos, entre 2026 e 2032, buscando amenizar o impacto da redução de arrecadação para os estados produtores.
Os estados que compõem a coalizão com a CNM incluem Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondônia, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins. O estado do Rio de Janeiro, de acordo com o último boletim da Agência Nacional do Petróleo (ANP), é responsável por 87% da produção nacional de petróleo, seguido por Espírito Santo e São Paulo.
Questões Constitucionais em Debate
A Procuradoria-Geral do Estado do Espírito Santo (PGE-ES) argumenta que a proposta dos 19 estados e da CNM, discutida em uma reunião virtual, na prática, mantém a aplicação da lei de 2012 como está. O procurador-chefe da PGE-ES, Claudio Penedo Madureira, destacou que a questão constitucional permanece em aberto, considerando que a lei impugnada contraria uma interpretação que tem sido seguida pelo STF há anos.
A definição de royalties, conforme a Constituição, deve compensar os impactos da exploração, que ocorre nos estados produtores. Madureira enfatizou que, segundo cálculos feitos, a divisão anterior à lei de 2012 alocava 70% dos recursos para a União e os estados produtores, enquanto apenas 30% eram destinados aos demais. Essa estrutura contraria a lógica que busca compensar os efeitos da exploração nas regiões afetadas.
As discussões sobre a redistribuição dos royalties do petróleo continuam a suscitar debates intensos e polarizados, refletindo as complexidades do sistema fiscal brasileiro e suas implicações diretas na economia dos estados envolvidos. É um tema crucial que promete impactar a relação entre estados produtores e não produtores, e como isso afetará a arrecadação e o desenvolvimento econômico regional.

