Ministro do STF Aponta Para ‘Impunidade’ em Prisões de Parlamentares
O ministro Alexandre de Moraes, em despacho assinado nesta quarta-feira (6), expressou sua preocupação com a “impunidade” relacionada às prisões de parlamentares, defendendo que o Supremo Tribunal Federal (STF) deve tomar medidas para impedir que Assembleias Estaduais possam derrubar prisões de deputados. Moraes mencionou especificamente a manutenção da prisão preventiva do deputado estadual Thiago Resende (Avante), detido na terça-feira (5) durante a quarta fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal.
A Constituição Federal de 1988, por meio do Estatuto dos Congressistas, estabelece que deputados federais e senadores estão protegidos de prisão, exceto em casos de flagrante por crimes inafiançáveis. No que diz respeito aos deputados estaduais, o STF reconhece que as Assembleias Legislativas têm a prerrogativa de decidir sobre prisões de parlamentares. Contudo, Moraes ressalta que essa interpretação do STF tem sido distorcida para assegurar a “total impunidade” dos deputados estaduais.
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O ministro citou dados alarmantes: em 13 prisões de parlamentares por delitos que não estavam relacionados aos seus mandatos, 12 foram revertidas, sendo que oito ocorreram no estado do Rio de Janeiro. Um exemplo notável é o caso do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (PL), que foi preso em dezembro de 2022 na terceira fase da Operação Unha e Carne e, poucos dias depois, teve sua soltura aprovada pela Alerj com 42 votos. Bacellar voltou a ser preso em março do ano seguinte.
Além disso, Moraes criticou a interpretação que permite que os deputados estaduais se utilizem da autonomia do Poder Legislativo para garantir a liberdade, afirmando que a norma que concede essa permissão é frequentemente distorcida, resultando na proteção de organizações criminosas infiltradas dentro da estrutura pública.
Implicações da Proposta de Moraes
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A proposta de Moraes, caso seja acolhida pelo STF, pode levar a uma reavaliação das regras que regem a prisão de parlamentares e suas garantias constitucionais. A medida visa não apenas fortalecer a justiça, mas também reforçar a ideia de que a imunidade parlamentar não deve ser um escudo para comportamentos irregulares ou ilícitos.
O tema da impunidade entre parlamentares não é novo e já foi alvo de debates acalorados na esfera política. Desde a operação Lava Jato, surgiram diversas discussões sobre como a legislação atual propicia brechas que permitem a manipulação das leis por aqueles que ocupam cargos eletivos. A percepção de que parlamentares estão acima da lei pode minar a confiança da população nas instituições democráticas, um fator que Moraes parece querer corrigir com sua manifestação.
As reações à proposta ainda estão por vir, mas a expectativa é que haja um amplo debate entre os membros do STF, juristas e legisladores sobre o alcance e os limites da imunidade parlamentar. Esse é um tema sensível que toca em questões de ética, responsabilidade e a necessidade de um sistema legislativo mais transparente e responsável.
O cenário político no Brasil continua a se desdobrar, e o posicionamento de Moraes pode ser visto como um passo significativo em direção a um maior controle sobre a atuação de parlamentares, sinalizando que a impunidade não será mais aceita como parte do jogo político. O desfecho dessa discussão poderá ter implicações profundas nas futuras operações e na gestão da justiça no país.

