Menopausa: Impactos no sono e saúde mental
A menopausa é um tema ainda pouco discutido no Brasil, embora suas consequências afetem diversas áreas da vida das mulheres. Dados apontam que cerca de 70% das brasileiras sofrem com sintomas como insônia e mudanças de humor durante essa fase, o que pode impactar diretamente no desempenho profissional e na saúde mental. Especialistas ressaltam que este momento pode, surpreendentemente, proporcionar uma nova perspectiva sobre escolhas e bem-estar.
Segundo informações da The Menopause Society, mudanças hormonais, como a diminuição da progesterona, contribuem para alterações no sono. Muitas mulheres relatam que a qualidade do sono se deteriora, tornando-o mais leve e fragmentado. O resultado? Despertares noturnos frequentes, levando mulheres a enfrentarem o dia seguinte cansadas, mesmo após longas horas de descanso.
Camila Camaratta, psicanalista, explica que essa situação não deve ser vista apenas como uma questão de ansiedade ou fragilidade emocional. “Quando a mulher compreende que a alteração no sono é biológica e não uma falha pessoal, há um alívio imediato. Ela começa a se escutar melhor e a cuidar de si”, afirma.
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A Revisão de Prioridades na Menopausa
Além dos sintomas físicos, a menopausa muitas vezes coincide com uma fase de reavaliação de vida. Muitas mulheres, durante o climatério, começam a questionar suas escolhas e prioridades. Com um acúmulo de responsabilidades e a pressão para manter a produtividade, surgem reflexões sobre o que se mantém e o que já não faz mais sentido. “Na clínica, as mulheres compartilham não apenas sobre as mudanças corporais, mas também sobre o que realmente desejam para suas vidas”, destaca Camila.
Esse processo de autoconhecimento pode provocar uma transformação em como as mulheres se relacionam com o tempo e suas expectativas emocionais. O que antes era guiado por pressões externas agora passa a ser uma escolha mais consciente, alinhada ao que realmente importa.
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O Pico Criativo Tardio durante a Menopausa
Estudos sugerem que essa fase também pode estar ligada a um aumento da capacidade criativa e de integração de experiências, fenômeno denominado por alguns como “pico criativo tardio”. O psicanalista Erik Erikson descreveu essa etapa como generatividade, onde surge a necessidade de criar e compartilhar, indo além da maternidade e envolvendo ideias, projetos e participação social.
Exemplos de escritoras renomadas, como Clarice Lispector e Simone de Beauvoir, mostram que a maturidade pode ser um período fértil para a produção criativa. Contudo, a menopausa ainda é um tema cercado por tabus, especialmente no ambiente de trabalho, onde sintomas permanecem invisíveis.
Um Convite à Escuta e ao Cuidado Pessoal
Camila enfatiza que a menopausa exige uma mudança na forma como as mulheres cuidam de si mesmas. “Não existe um manual para atravessar essa fase. É um processo que requer tempo e uma escuta honesta de si”, ressalta. A falta de reconhecimento social em relação aos desafios da menopausa pode fazer com que muitas mulheres se sintam inadequadas. “Quando não se fala sobre isso, a mulher atravessa essa fase sozinha, achando que está falhando”, observa.
Portanto, a menopausa não deve ser vista apenas como uma fase de sintomas físicos. Pode sim representar uma reorganização interna onde as expectativas externas perdem força, dando lugar a escolhas mais alinhadas com a realidade emocional de cada uma. “Embora não seja uma fase fácil, pode ser o início de um encontro verdadeiro consigo mesma. Para muitas, é justamente nesse momento que algo mais autêntico começa”, conclui Camila.

