Custo Médio da Construção Civil no RN
O custo médio da construção civil no Rio Grande do Norte (RN) registrou em abril a quarta maior alta do país, com um aumento de 1,22% em relação a março. Apenas os estados do Acre (+3,89%), Maranhão (+2,99%) e Rio de Janeiro (+1,83%) apresentaram variações superiores. Esse dado é parte do Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 12 de abril.
Embora a alta mensal seja significativa, ao analisar os últimos 12 meses, o RN teve a menor variação do Nordeste, com uma taxa acumulada de 5,50%. Esse valor está abaixo da média nacional, que é de 7,01%, e da média regional, que é de 7,89%, evidenciando que, apesar da elevação mensal, o estado continua com uma das menores variações acumuladas na comparação anual.
Impactos dos Custos na Construção Civil
Desde o início de 2023, o metro quadrado (m²) na construção civil no RN teve um crescimento médio de 3,38% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Atualmente, o estado possui o quinto menor custo médio de construção civil do Brasil, com o valor de R$ 1.808,67, atrás de estados como Pernambuco (R$ 1.722,48), Sergipe (R$ 1.724,27), Espírito Santo (R$ 1.761,23) e Alagoas (R$ 1.778,83).
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De acordo com o economista Helder Cavalcanti, a alta dos custos está relacionada a diversos fatores, incluindo reajustes nos preços de materiais como cimento, aço, cerâmica e componentes elétricos. Além disso, há uma pressão salarial na construção civil, aumento dos custos logísticos e de combustíveis, a retomada gradual de obras e um aumento na demanda por insumos. Os juros elevados também têm um papel significativo nesse cenário.
O economista ressalta que o setor da construção civil sente reflexos do cenário macroeconômico nacional: “Altas taxas de juros encarecem o crédito imobiliário, o financiamento de obras e o capital de giro das construtoras, o que acaba sendo repassado aos preços finais dos empreendimentos”, explica.
Embora o aumento mensal de 1,22% seja notável, ele reflete variáveis como materiais de construção, mão de obra, logística e inflação setorial, que continuam a pressionar o setor. Cavalcanti aponta que, em estados como o RN, quaisquer elevações mais acentuadas chamam atenção, pois o mercado local trabalha com margens mais apertadas e é bastante sensível ao poder de compra das famílias.
Cenário Comparativo e Competitividade Regional
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O crescimento do custo da construção no RN em abril superou tanto o índice nacional (+0,72%) quanto o regional (+0,98%). Contudo, o custo médio do m² no RN ainda permanece abaixo da média nacional (R$ 1.946,09) e da média do Nordeste (R$ 1.828,03). Essa situação proporciona uma competitividade regional, impulsionada por fatores como o custo de terrenos mais acessível em comparação com grandes capitais, um mercado consumidor menor, padrões construtivos mais enxutos e uma remuneração média da mão de obra mais baixa.
Na prática, a elevação dos custos tende a gerar impactos graduais nos valores dos imóveis e das obras em andamento no RN. O efeito imediato pode ser percebido em reajustes dos imóveis na planta, reequilíbrio de contratos de obras, redução das margens das construtoras e elevação nos custos de reformas e pequenas construções.
Entretanto, o cenário competitivo do mercado potiguar, aliado a uma renda média limitada, faz com que as empresas tenham dificuldade em repassar integralmente os aumentos aos consumidores. Em muitos casos, parte do impacto acaba sendo absorvida pelas próprias construtoras, como constata Cavalcanti.
Custo Nacional da Construção Civil
Em nível nacional, o custo de construção por metro quadrado aumentou de R$ 1.932,27 em março para R$ 1.946,09 em abril. Desses valores, R$ 1.098,80 referem-se a materiais e R$ 847,29 à mão de obra. A parte correspondente aos materiais apresentou uma variação de 0,83%, o que representa um aumento em relação a março (0,43%) e ao mesmo mês do ano passado (0,31%).
A mão de obra, com uma taxa de 0,57%, também mostrou alguns reajustes, com alta de 0,26 ponto percentual em comparação a março (0,31%). Entretanto, quando comparado a abril de 2022 (0,68%), houve uma diminuição de 0,11 ponto percentual.
Nos primeiros quatro meses de 2023, os acumulados foram de 1,90% para materiais e 4,19% para mão de obra. No período de doze meses, os acumulados alcançaram 4,99% para materiais e 9,77% para mão de obra, evidenciando a pressão contínua sobre os custos da construção civil no Brasil.

