Thiago Rangel é preso em operação da PF
No Rio de Janeiro, a Polícia Federal (PF) prendeu, na última terça-feira, o deputado estadual Thiago Rangel, do Avante, em uma ação relacionada a fraudes na Secretaria de Estado de educação. Segundo investigações, ele estaria liderando um esquema de superfaturamento em obras de escolas estaduais, com indícios de que um valor de até R$ 2,9 milhões em caixa dois foi destinado a financiar campanhas de pessoas próximas ao parlamentar. Esta é a terceira prisão de um deputado fluminense nos últimos tempos, evidenciando um preocupante padrão de corrupção na política do estado.
Histórico de prisões no cenário político fluminense
Antes de Rangel, outros dois deputados enfrentaram a Justiça. O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, foi detido por supostas conexões com o crime organizado. O primeiro a ser preso foi Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, que também estava envolvido em esquemas de lavagem de dinheiro relacionados ao Comando Vermelho. As ações da PF revelam uma rede complexa de corrupção que permeia a política local.
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Operação “Unha e Carne” e possíveis vazamentos
A ordem de prisão de Rangel, assim como de outras seis pessoas, foi emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Contudo, surgem suspeitas de que detalhes da operação “Unha e Carne” podem ter vazado, visto que, um dia antes, a vereadora Thamires Rangel, filha do deputado, foi exonerada da Subsecretaria Adjunta de Conscientização Ambiental. Ela ocupava o cargo desde 2022, nomeada pelo ex-governador Cláudio Castro.
Aumento de gastos na Secretaria de Educação
O esquema de corrupção que envolve Thiago Rangel está ligado a um notável aumento nos gastos da Secretaria de Estado de Educação. Os repasses para reformas em escolas, que em 2018 eram de aproximadamente R$ 60 milhões, dispararam para R$ 630 milhões em 2024. A PF identificou que a cúpula da secretaria controlava as cotações de preços e pressionava escolas a contratarem empresas específicas, muitas vezes sem a capacidade técnica necessária. Reformas pequenas eram inflacionadas para justificar o desvio de recursos públicos.
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Empresas suspeitas e movimentações financeiras
Entre as empresas investigadas, destaca-se a Flademma, que, curiosamente, possui sua sede em um imóvel residencial de um beneficiário de auxílio emergencial. Essa empresa obteve nove contratos totalizando R$ 7,7 milhões. Outro exemplo é a Atec, relacionada ao filho de uma subsecretária de Educação, que recebeu R$ 11,4 milhões. O esquema de superfaturamento e desvio de dinheiro era operado por Luiz Fernando Passos de Souza, que também foi preso na operação e movimentava valores significativos em benefício de Rangel.
Documentos que comprometem a investigação
A PF chegou a Rangel ao analisar um dos notebooks do ex-deputado Rodrigo Bacellar. Uma planilha encontrada no dispositivo detalhava a troca de cargos por votos no Legislativo, indicando uma possível instrumentalização da estrutura da Secretaria de Educação para favorecer atividades ilícitas ligadas ao crime organizado. As investigações ainda revelam um financiamento eleitoral prometido de R$ 2,9 milhões por Bacellar para as campanhas da filha de Rangel e outros aliados, expondo a profundidade do esquema.
Impactos nas eleições e futuro político
O cenário político do Rio de Janeiro se complica ainda mais à medida que Rangel e Bacellar, ambos aliados do ex-governador Cláudio Castro, enfrentam as consequências legais de suas ações. A intenção do grupo político de eleger Douglas Ruas como governador interino se depara com a intervenção do STF. O ministro Flávio Dino suspendeu uma sessão que discutia a forma de eleição no estado, após a renúncia de Castro e do ex-vice-governador Thiago Pampolha. A situação gera incertezas sobre o futuro político do estado, que vem sendo gerido interinamente pelo desembargador Ricardo Couto.
Com a prisão de Thiago Rangel, os desdobramentos das investigações e os desafios enfrentados pelo atual governo fluminense revelam um cenário complexo, onde a luta contra a corrupção se torna cada vez mais urgente e necessária.

