Apoio do Pastor à campanha presidencial Reforça Aliança com Evangélicos
BRASÍLIA — O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez sua presença marcante em um culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), localizada na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, neste domingo, 3. A cerimônia representou um importante passo para a consolidação do apoio do pastor Silas Malafaia à sua candidatura.
Flávio chegou ao evento acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, onde participaram de um café da manhã ao lado de Malafaia e sua mulher, Elizete. A presença de figuras proeminentes no culto, como o ex-prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), e o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ), além do líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), e do presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas (PL-RJ), reforçou o caráter político do encontro.
Malafaia, que inicialmente hesitava em se aliar à campanha de Flávio, demonstrou preferência por Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, como o candidato do bolsonarismo no embate contra o PT nas próximas eleições. Contudo, a figura do filho mais velho de Jair Bolsonaro foi se consolidando ao longo do tempo.
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Um dos aliados mais próximos de Jair Bolsonaro, Malafaia mantém uma relação de proximidade com a família. Conhecido por suas posições contundentes, ele não hesita em expressar suas opiniões sobre as estratégias políticas dos Bolsonaro, o que, em várias ocasiões, gerou situações constrangedoras. Em fevereiro, por exemplo, o pastor recomendou que Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e irmão de Flávio, seria mais útil à pré-campanha se mantivesse silêncio. Em janeiro, Malafaia havia manifestado sua preferência por Tarcísio como candidato, dizendo que Flávio não conseguia “empolgar” o eleitorado.
“Aqueles que tinham dúvidas sobre o apoio do pastor Silas agora podem ver que, mesmo tendo uma preferência pelo Tarcísio, o pastor se mostrou coerente e leal à escolha do presidente Jair Bolsonaro”, destacou Sóstenes, em entrevista ao Estadão.
Durante o culto, além das tratativas sobre a candidatura presidencial de Flávio, um dos temas abordados foi a disputa pela sucessão no governo do Rio de Janeiro. O grupo busca garantir que Douglas Ruas assuma a cadeira atualmente ocupada pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do estado.
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Ricardo Couto tomou posse após a renúncia de Cláudio Castro em março, quando decidiu concorrer ao Senado. Na ocasião, a linha sucessória estava complicada, pois não havia vice-governador ou presidente da Assembleia Legislativa disponíveis. Ruas, posteriormente, foi eleito pelos deputados estaduais e busca agora a estabilidade no cargo, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) avalia como resolver este imbróglio.
Recentemente, a Primeira Turma do STF decidiu que Malafaia se tornaria réu por injúria contra generais do Exército. A acusação de calúnia, contudo, foi rejeitada, uma vez que os ministros entenderam que as críticas feitas pelo pastor eram com natureza genérica e, portanto, não se configuravam como crime.
O apoio de Silas Malafaia é crucial para a trajetória de Flávio, que busca unificar o eleitorado evangélico em torno de sua candidatura. O PL, partido de Flávio, elaborou um mapeamento das principais igrejas evangélicas do Brasil, programando uma turnê em cada uma delas até as eleições.
Através de dados do Censo de 2010, disponível pelo IBGE, o partido identificou as denominações com maior número de fiéis para promover encontros com Flávio. O último censo realizado em 2022 não trouxe dados segmentados. A primeira parada dessa turnê ocorreu em abril, em São Paulo, onde Flávio se reuniu com o pastor José Wellington Bezerra da Costa, líder da Assembleia de Deus Ministério do Belém, a maior denominação evangélica do Brasil, que, embora fragmentada, conta com um grande número de seguidores.
Em 2010, a Assembleia de Deus contava com aproximadamente 12,3 milhões de membros, seguida por outras denominações como a Congregação Cristã no Brasil (2,3 milhões) e a Universal do Reino de Deus (1,9 milhão). Entre as igrejas evangélicas tradicionais, destacam-se a Batista (3,7 milhões) e a Adventista do Sétimo Dia (1,5 milhão). Com esse cenário, a busca de Flávio pelo apoio do eleitorado evangélico se torna ainda mais evidente.

