O Retorno dos Caciques e os Desafios nas Urnas
Com a recente decisão da Justiça, figuras proeminentes da política do Rio de Janeiro, como Garotinho e Paulo Melo, estão se preparando para um possível retorno às urnas. As movimentações políticas prometem uma disputa acirrada, especialmente para Garotinho, que pode enfrentar o próprio filho, Wladimir (PL), em uma corrida por uma vaga na Câmara dos Deputados. Wladimir, que é atualmente aliado do senador Flávio Bolsonaro, tem se estranhado com o pai. As divergências surgiram principalmente por conta dos ataques que Garotinho fez ao pré-candidato do PL ao governo, Douglas Ruas, e também a seu rival na disputa estadual, Eduardo Paes (PSD). Apesar das tentativas de contato, Garotinho ainda não se manifestou sobre sua candidatura.
Outro nome que retorna ao cenário eleitoral é o ex-deputado Edson Albertassi, que, até recentemente, cumpria prisão domiciliar devido à Operação Cadeia Velha. Sua situação jurídica mudou quando a Justiça do Rio arquivou o processo que tramitava na Justiça Federal. Assim, Albertassi se prepara para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) este ano, ao lado de Paulo Melo, que também pretende voltar à cena eleitoral.
Em uma recente entrevista para uma rádio de Volta Redonda (RJ), Edson Albertassi destacou que “não deve nada à Justiça” e enfatizou sua capacidade de navegar entre os apoios políticos. O ex-deputado busca equilibrar suas alianças entre Eduardo Paes e Flávio Bolsonaro, fazendo um paralelo com sua estratégia de 2014, quando apoiou Aécio Neves (PSDB) enquanto o MDB tinha uma coligação com Dilma Rousseff (PT). A ideia de Albertassi é criar um movimento chamado “Bolsopaes”, que representaria a aliança entre a campanha de Bolsonaro e Eduardo Paes no Rio.
Por outro lado, Paulo Melo também está se mobilizando para a sua candidatura, mas pretende expandir sua atuação fora de Saquarema, sua cidade natal e reduto político. Em 2024, Melo já havia se lançado candidato a prefeito, mas enfrentou dificuldades contra o grupo do ex-prefeito Antonio Peres (PL). As avaliações locais sugerem que a situação não será muito diferente neste ano, já que Peres deve apoiar a candidatura da ex-esposa, Manoela, ao legislativo municipal. “Eu sabia que a campanha de 2024 seria desafiadora, mas foi crucial para mostrar às pessoas que eu ainda era elegível, apesar das inverdades que circularam sobre mim”, afirmou Melo sobre sua experiência anterior.
As eleições deste ano também trarão para a disputa os filhos de figuras tradicionais da Política Fluminense. Marco Antônio Cabral (Solidariedade), filho do ex-governador Sérgio Cabral, e Leonardo Picciani (PV), que é filho do falecido ex-deputado Jorge Picciani, tentam retomar seus lugares no cenário político, após não conseguirem se eleger à Câmara há quatro anos. A expectativa é que, com a mudança de partido, ambos busquem um resultado mais favorável dessa vez.

