Pressão por apoio à candidatura de Flávio
Na última terça-feira, Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado, anunciou a realização de um levantamento entre prefeitos e vereadores do PL que não estão promovendo a candidatura de seu irmão, Flávio Bolsonaro, ao Planalto. O objetivo dessa iniciativa é pressionar a executiva do partido a tomar providências em relação à postura de políticos que não se envolvem na campanha. Em um cenário de tensões internas, Carlos ressalta a necessidade de apoio e comunicação para fortalecer a candidatura de Flávio.
“É estarrecedor perceber que a esmagadora maioria não tem sequer uma postagem sobre o tema há mais de quatro meses desde o início da corrida eleitoral”, declarou o ex-vereador. Sua afirmação destaca o descontentamento em relação à falta de engajamento político entre os membros do partido. A pressão se intensifica em um momento em que as divisões dentro da direita se acentuam, especialmente entre o bolsonarismo e outras correntes políticas.
Divisões na direita
A declaração de Carlos Bolsonaro vem em um momento de atritos entre o núcleo central do bolsonarismo e diferentes alas da direita, incluindo disputas internas no PL. Recentemente, Carlos e seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, envolveram-se em desavenças com figuras proeminentes do partido, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O clima de rivalidade é palpável e reflete a fragilidade das alianças dentro do partido.
“Quem quer vencer precisa agir, comunicar e vestir a camisa. Neste momento, muitas vezes, basta o básico: marcar posição e se manifestar com postagens. Seguimos tentando ajudar a manter vivos politicamente, inclusive muitos que, por algum motivo, ignoram Flávio Bolsonaro e não dão bola para a situação do Brasil”, complementou Carlos, evidenciando a urgência de uma mobilização em prol da candidatura do irmão.
A crítica de Eduardo Bolsonaro
Neste contexto, Eduardo Bolsonaro também fez críticas contundentes a Nikolas Ferreira, chamando-o de “versão caricata de si mesmo”. O ex-parlamentar, que atualmente reside nos Estados Unidos, expressou preocupação com o comportamento do deputado mineiro, afirmando que ele desrespeita sua família. “Risinho de deboche para mim, Nikolas? Ao que parece, não há limites para seu desrespeito comigo e minha família. Triste ver essa versão caricata de si mesmo”, escreveu Eduardo em suas redes sociais.
A controvérsia entre Eduardo e Nikolas teve início após o deputado federal ter feito uma postagem de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, onde compartilhou um vídeo do perfil no X intitulado “Space Liberdade”. Nesse vídeo, Lula ironizava Trump, alegando que o Pix era uma criação do Brasil. Essa intervenção desagradou Eduardo, que já havia criticado o perfil por seu posicionamento em relação a Flávio. “Denunciei que o Space Liberdade não votará em Flávio Bolsonaro, ao menos no primeiro turno. Adivinhem quem prontamente compartilhou o perfil no mesmíssimo dia? Esta é só mais uma das várias coincidências do pessoal que pede ‘união da direita'”, comentou Eduardo.
Declarações de Nikolas Ferreira
Recentemente, em uma entrevista ao GLOBO, Nikolas Ferreira se autodenominou “atacante” e afirmou que estaria sofrendo ataques unilaterais. Ele ainda mencionou membros de seu grupo político que “se acham mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro”. Para ele, essas personalidades são os “especialistas em afastar as pessoas”, um reflexo da crise interna que permeia o partido.
Com a aproximação das eleições, a falta de coesão entre os aliados do bolsonarismo pode impactar negativamente as candidaturas de Flávio e de Carlos, além de fragilizar o discurso que prega a união entre os grupos de direita. A expectativa agora é saber como a executiva do PL reagirá a essa mobilização e se conseguirá restaurar a harmonia entre seus membros antes das eleições.

