FEBF na Praça: Educação Pública em Movimento
Na última quinta-feira (20), a Praça do Pacificador, no coração de Duque de Caxias, tornou-se palco de uma grande celebração da educação pública. Estudantes, professores, pesquisadores e moradores ocuparam o espaço para a segunda edição do “FEBF na Praça”, evento promovido pela Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF) da Uerj, com apoio da Prefeitura Municipal. A iniciativa reuniu dezenas de projetos de ensino, pesquisa e extensão em uma mostra aberta à população, destacando não só os dez anos da primeira edição, mas também a trajetória da universidade pública na periferia.
Atividades Interativas e Envolvimento Comunitário
A diversidade de atividades surpreendeu o público. Estavam presentes estandes interativos, oficinas, rodas de conversa, experimentos científicos, jogos matemáticos, contação de histórias, exposições fotográficas e até uma aula de campo sobre mitos e territorialidades. Crianças, jovens e adultos que circulavam pelo centro da cidade participaram ativamente, mostrando o alcance do evento.
Fernanda Gouveia, professora do Departamento de Gestão de Sistemas Educacionais (DGSE) da FEBF e uma das organizadoras, ressaltou o significado da ação. Segundo ela, “quando ocupamos a praça, mostramos que essa universidade produz conhecimento, olha para o futuro e pensa numa sociedade mais justa”.
Expansão e Raízes da FEBF em Duque de Caxias
Durante a abertura, o vice-reitor da Uerj, Bruno Deusdará, destacou a evolução da FEBF na última década. “Há poucos anos, a unidade oferecia apenas três cursos de graduação: Pedagogia, Geografia e Matemática. Hoje, também inclui História e Cinema e Audiovisual. O mestrado permanece forte e há um novo doutorado na Baixada Fluminense”, afirmou.
Deusdará enfatizou ainda o sentimento de pertencimento da universidade à cidade. “A FEBF é a Uerj e pertence ao povo de Caxias. Queremos que sobrinhos, filhos e vizinhos sonhem conosco a universidade pública e lutem pela educação e democracia”, declarou.
A diretora da unidade, Amália Dias, trouxe poesia para a abertura, homenageando o poeta pernambucano Solano Trindade, que viveu em Duque de Caxias e é referência cultural local. Ela propôs que a Praça do Pacificador seja conhecida também como Solano Trindade, ressignificando simbolicamente o espaço público.
Projetos que Integram Universidade e Comunidade
Ao longo da tarde, a FEBF apresentou projetos que expressam sua presença no território da Baixada Fluminense. A participação de estudantes do Ensino Médio, em especial, marcou as atividades.
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
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Fonte: bahnoticias.com.br
O projeto “Universidade e Escola na formação de professores: ações conjuntas, saberes ressignificados”, coordenado pela professora Marcela da Silva Esteves Pacheco Guedes, do Departamento de Formação de Professores (DEFP), destacou-se ao levar bolsistas da FEBF a uma escola estadual, promovendo atividades com alunos em formação docente. Há oito anos, a iniciativa investiga questões teórico-metodológicas da formação de professores, valorizando a trajetória docente na Baixada Fluminense.
O pré-vestibular social (Re)Existir, criado em 2019 pelo professor Everton Santos Lima, egresso da FEBF, atraiu muitos jovens. O projeto já atendeu mais de 700 alunos e aprovou mais de 150 em universidades públicas. Segundo Everton, o objetivo é tornar a universidade um ambiente de pertencimento para estudantes da região.
A mestranda em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias (PPGECC), Ana Clara Granado Lugon, que também coordena o projeto, acrescentou que além da preparação para o vestibular, são oferecidas aulas de formação política em parceria com outros projetos de extensão, beneficiando estudantes de escolas públicas de Duque de Caxias e municípios vizinhos.
Formação de Professores e Iniciação à Docência
O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), coordenado pela professora Gabriela dos Santos Barbosa, do Departamento de Educação Matemática (Demat), promove a conexão da universidade com escolas públicas. Estudantes de licenciatura desenvolvem jogos, atividades lúdicas e pranchas para o ensino de Matemática no Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira (Cap-Uerj). Gabriela ressaltou que este contato reforça a identidade docente ao revelar o saber específico da profissão.
Geografia e Participação Comunitária
O Laboratório de Geografia Física, Estudos Ambientais e Práticas de Ensino (Labgef), coordenado pela professora Andreia Paula de Souza, apresentou iniciativas de mapeamento de áreas de risco e desastres na Baixada Fluminense, além de bibliotecas virtuais sobre o meio ambiente regional. Andreia destacou a importância do envolvimento comunitário, que contribui com informações para os projetos, fortalecendo o sentimento de pertencimento.
Débora Pinheiro, aluna bolsista do último período de Geografia, realizou experimentos para explicar o comportamento da água em solos com e sem vegetação, aproximando o conhecimento científico da população local.
Ciência, Cultura e Resistência na Praça
O projeto “Sala de Vivências Holísticas Milton Santos”, coordenado pelo professor Wellington Francisco Sado e Santos, trouxe à praça uma coleção de fósseis, minerais, animais preservados e artefatos históricos, integrando biodiversidade, cultura e geodiversidade. O projeto nasceu do “Qual é a Graça?”, iniciativa para combater o racismo e o bullying em escolas.
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Fonte: atividadenews.com.br
O projeto “Meninas pelo Clima”, coordenado pela professora Cleonice Puggian, do DEFP, trabalha com estudantes do Ensino Médio usando tecnologias imersivas para incentivar carreiras científicas entre jovens mulheres.
A exposição “Raízes e Resistências”, do espaço de acolhimento Edna Maia, retratou estudantes-mães da FEBF e suas crianças, mostrando a presença das mulheres na universidade e a importância de considerar suas trajetórias acadêmicas e pessoais.
O combate ao racismo também marcou presença com o projeto “Entretecendo as Práticas Pedagógicas”, que leva literatura afro-brasileira para escolas públicas por meio do espaço Afrotext Azoilda Loretto da Trindade, criado dentro da FEBF para suprir a falta de autores negros no acervo.
Pós-Graduação e Compromisso Social
A professora Jucilene Barão, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias (PPGECC), reforçou o foco do programa na realidade local, com projetos em escolas públicas e movimentos sociais, formando pesquisadores engajados com a Baixada Fluminense.
Encerramento com Cultura Popular
O evento foi finalizado com a apresentação dos Pimpolhos do G.R.E.S. Acadêmicos do Grande Rio, projeto de extensão que utiliza o samba como ferramenta pedagógica, promovido pela professora Adriana Correia. A equipe da Licenciatura Plena em Cinema e Audiovisual da FEBF/Uerj também exibiu uma mostra de obras cinematográficas.
Reconhecimento e Parceria com a Prefeitura
O secretário Municipal de Cultura e Turismo de Duque de Caxias, Aroldo Brito, destacou a importância da interação entre universidade e município. “É motivo de orgulho e esperança ter a FEBF aqui. A Uerj contribui com pesquisas e desenvolvimento social. A universidade deve estar onde o povo está”, afirmou.
A segunda edição do “FEBF na Praça” reafirmou o papel da Uerj na Baixada Fluminense, reforçando que a universidade pública é um direito e deve estar presente nos espaços onde a vida acontece, promovendo conhecimento e inclusão social.

