Reconhecimento nacional para educadoras de Itanhaém
Três professoras da rede municipal de Itanhaém foram selecionadas entre iniciativas de todo o Brasil para receber uma premiação do Programa Literatura Atlântica, promovido pelo Instituto Coral Vivo. O evento será realizado nos dias 6 e 7 de novembro, no Rio de Janeiro, onde elas receberão menção honrosa pelos trabalhos desenvolvidos nas escolas municipais.
Projetos que transformam o ensino e o entorno
As experiências premiadas destacam a cultura oceânica, a educação ambiental e a sensibilização das crianças para a preservação dos ambientes marinhos. Entre as educadoras, a professora Fabiula Berti, da EM Leonor Mendes Barros, compartilha uma história que simboliza o impacto de seu trabalho. Ela conta que convenceu um aluno, filho de pescadores no Baixio, a voltar para a escola. Naquele ano, o garoto foi alfabetizado e revelou um sonho inesperado: ser biólogo marinho. Para Fabiula, esse episódio é uma prova clara de como a educação amplia horizontes.
O projeto de Fabiula começou com uma caminhada até a Boca da Barra, onde as crianças observaram o encontro do Rio Itanhaém com o mar e passaram a enxergar a região pela perspectiva da vida marinha. A sala de aula se expandiu para o entorno, com um passeio pelo Rio Itanhaém que envolveu famílias e alunos. Além de atividades artísticas como pinturas e cartas ao planeta Terra, os estudantes participaram do projeto Tampinhas Solidárias, que já retirou quase 10 mil tampinhas do meio ambiente. A mudança também se refletiu no cotidiano das crianças, que passaram a adotar atitudes conscientes, como recolher lixo nas praias e cobrar os familiares por essas ações.
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Fonte: edemossoro.com.br
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Fonte: belembelem.com.br
Literatura e brincadeiras como ferramentas de aprendizagem
Na mesma escola, a professora Kelva Aires apostou na literatura para aproximar os alunos do universo marinho. A partir da leitura dos livros “Tá Limpo!” e “Grude-Grude”, do Programa Literatura Atlântica, ela desenvolveu atividades lúdicas que exploraram temas como animais marinhos e preservação ambiental. Uma sala da escola foi transformada em um ambiente imersivo que simulava o fundo do mar, o que emocionou as crianças ao reconhecerem os elementos produzidos durante as aulas. Kelva destaca a importância de reforçar desde cedo a conexão respeitosa com o mar, essencial para uma cidade litorânea como Itanhaém.
Do universo dos bebês ao reconhecimento nacional
Na EM Luiz Gonzaga, a professora Bárbara Suelen também usou a literatura para despertar o interesse dos alunos pela vida marinha. Trabalhando com uma turma de bebês, ela desenvolveu um projeto que incluiu contato direto com um polvo e um túnel sensorial que reproduzia o ambiente submarino. Bárbara recebeu com surpresa e alegria a notícia da premiação e se prepara para representar Itanhaém no encontro nacional. Para ela, o reconhecimento valoriza o esforço diário de educadores que buscam construir conhecimento por meio de experiências significativas.
Educação ambiental com raízes locais e impacto duradouro
Carol Peres, coordenadora da Educação Ambiental em Itanhaém, reforça que abordar o meio ambiente na escola é trazer para dentro da sala de aula elementos que fazem parte do cotidiano dos estudantes. O mar, os rios e os manguezais moldam a vida da população e a história do município. Os projetos das professoras Fabiula, Kelva e Bárbara representam diferentes formas de ensino, mas compartilham o objetivo de formar crianças capazes de conhecer, valorizar e cuidar do território onde vivem.
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Fonte: amapainforma.com.br
O programa e o futuro da cultura oceânica na educação
O Programa Literatura Atlântica do Instituto Coral Vivo utiliza livros e atividades pedagógicas para aproximar crianças e educadores da biodiversidade marinha, promovendo a cultura oceânica e a conservação ambiental. Em 2026, o instituto lançou um edital para reconhecer trabalhos desenvolvidos a partir das obras da Editora Coral Vivo, avaliando critérios como inovação, impacto pedagógico, articulação com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e potencial de replicabilidade.
As experiências premiadas participarão de um encontro presencial no Rio de Janeiro e integrarão o Portfólio de Boas Práticas do programa, fortalecendo a rede de educadores comprometidos com a educação ambiental e o cuidado com os ecossistemas costeiros. Criado em 2003, o Projeto Coral Vivo atua em pesquisa, educação, comunicação e políticas públicas para conservação dos ambientes marinhos, com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
Para as professoras premiadas, a menção honrosa não é apenas um reconhecimento formal, mas a valorização de um trabalho cotidiano que ultrapassa os muros da escola. São atitudes simples, como crianças recolhendo tampinhas na praia ou famílias mais atentas ao lixo, que traduzem o verdadeiro impacto da educação ambiental. A formação de consciência e responsabilidade em relação ao mar e à vida marinha é um legado que permanece e se multiplica.

