Desafios no Calendário da Copa do Brasil 2026
A Copa do Brasil de 2026 marca o início de uma maratona intensa para os principais clubes do Brasil, com 18 partidas programadas em apenas dois meses. Essa carga elevada de jogos testa a resistência dos elencos e coloca em evidência a necessidade de uma gestão estratégica. O Flamengo, que agora conta com um novo técnico, se empenha em equilibrar suas prioridades nas três competições em disputa. Com um calendário comprimido e uma pré-temporada reduzida, a rotação de jogadores se torna um fator crucial, impactando diretamente no desempenho e no risco de lesões. Especialistas são unânimes ao afirmar que a administração cuidadosa dos elencos é essencial para manter um nível competitivo elevado.
A quinta fase da Copa do Brasil traz um novo desafio para os clubes, que se veem forçados a lidar com um calendário ainda mais apertado. A expectativa é de que os 18 jogos em dois meses, realizados em um período pré-Copa do Mundo, coloquem os elencos à prova. Assim, as equipes precisam fazer escolhas estratégicas, levando em conta principalmente a condição física dos jogadores.
No ano passado, o Flamengo conquistou a Libertadores e o Brasileirão, considerados prioridades pela diretoria. A Copa do Brasil, por outro lado, foi relegada a um segundo plano e o Atlético-MG acabou eliminado nas oitavas de final. Neste ano, o Flamengo inicia sua trajetória contra o Vitória, com o jogo de ida marcado para as 21h30 de quarta-feira, no Maracanã. O técnico Leonardo Jardim, que chegou recentemente ao clube, refuta a ideia de que a Copa do Brasil é menos importante.
— Para quem joga no Flamengo, todas as competições são prioritárias. É essencial classificar para a próxima fase da Libertadores, ter um bom desempenho no campeonato e avançar na Copa do Brasil. Apesar de algumas situações não serem garantidas, creio que temos um elenco que pode fazer mudanças e manter a intensidade — afirmou o português em coletiva realizada na semana passada.
Ele tem implementado uma rotação no time, buscando conferindo maior confiança aos jogadores reservas e garantindo uma equipe mais intensa fisicamente. Essa foi a estratégia que levou a duas vitórias na fase de grupos da Libertadores, contra Cusco e Independiente Medellín, por exemplo.
Antes de ser desligado do Corinthians, Dorival Júnior também manifestou preocupação com a condição física dos atletas, especialmente devido ao pouco tempo de descanso entre os meses de dezembro e janeiro. A pré-temporada deste ano foi uma das mais curtas na história do futebol brasileiro, em decorrência do novo calendário imposto pela CBF, o que pode levar a consequências mais severas no longo prazo. O atual campeão da Copa do Brasil inicia sua campanha às 21h30 desta terça-feira contra o Barra-SC, sob o comando de Fernando Diniz, que por sua vez, é conhecido por não se preocupar com a rotação e escalar sempre o que tem de melhor.
Matheus Cioccari, educador físico e especialista em gestão de performance, ressalta que manter um alto nível de desempenho durante toda a temporada no Brasil, mesmo diante desse novo cenário, é uma tarefa praticamente impossível. Por isso, a rotação de atletas se torna uma necessidade.
— O calendário é extremamente apertado e ainda existe o problema das longas viagens pelo Brasil e América do Sul conforme a temporada avança. Todos os atletas precisam de um tempo mínimo para se preparar antes do início das competições. Este ano, os jogos começaram de forma antecipada, o que fez com que quase nenhum dos clubes de elite conseguisse realizar uma pré-temporada adequada. Por fim, os grandes times acabam jogando três vezes por semana, o que compromete tanto o rendimento esportivo quanto aumenta o risco de lesões — explicou o especialista.
Os clubes participantes da Libertadores adotam uma estratégia diferente daquela dos times na Copa Sul-Americana. Renato Gaúcho, por exemplo, treinador do Vasco, que joga contra o Paysandu às 21h30 desta terça-feira pela Copa do Brasil, tem optado por escalar um time reserva nas competições continentais e nem mesmo acompanhar a equipe na viagem à Argentina, onde o Vasco empatou com o Barracas Central há duas semanas.
Além disso, a rotação também expõe a falta de profundidade em alguns elencos. Até o início da Libertadores, o Fluminense se destacava como um dos melhores times do país, mas após um empate com o Coritiba no Brasileirão, em que Luis Zubeldía fez alterações no elenco antes de um jogo na Venezuela contra o La Guaira, a equipe enfrentou uma sequência de quatro jogos sem vitórias. Na quinta-feira, às 21h30, o tricolor visita o Operário-PR, dando início a uma nova competição, enquanto desfruta de um breve momento de tranquilidade após a vitória sobre o Santos.
Após o início acelerado da Série A, Palmeiras e Flamengo se reafirmam como os principais candidatos ao título, possuindo elencos robustos que permitem uma gestão menos drástica. Enfrentando a Jacuipense-BA, o alviverde tende a ter a possibilidade de preservar seus titulares.
Por sua vez, o Bahia, que enfrenta o Remo no mata-mata, viu uma situação que, segundo eles, une o útil ao agradável. Eliminado precocemente da Libertadores, o time pode se preocupar menos e estar mais inteiro para os jogos, o que lhe confere uma vantagem na busca por um terceiro título. No entanto, as derrotas para Palmeiras e Flamengo ainda ofuscam a empolgação.
— O grande desafio em conciliar três competições para os clubes maiores é que os atletas não conseguem se recuperar totalmente entre os jogos. Esse acúmulo de desgaste não só compromete a performance física, mas também a técnica — analisa Cioccari. — Muitas vezes, os treinadores também não conseguem trabalhar de maneira ideal os aspectos táticos, técnicos e físicos, dado que a sequência de viagens e partidas limita bastante o tempo para isso. No fim das contas, conciliar essas competições requer uma administração cuidadosa do elenco e da carga de trabalho.

