Brasil mantém liderança no Foro Ibero-Americano de Cultura
O Brasil seguirá à frente do Foro Ibero-Americano de Vice-Ministros e Altas Autoridades de Cultura pelos próximos dois anos, até 2028. A recondução foi aprovada por unanimidade durante a 6ª Reunião do Foro, realizada na última quarta-feira (28) no Rio2C, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. O evento reuniu representantes de 15 países, além de organizações internacionais e instituições culturais, para discutir a integração regional por meio das indústrias culturais e criativas.
O secretário-executivo do Ministério da Cultura (MinC) e presidente do Foro, Márcio Tavares, destacou a importância de a Ibero-América construir um conceito próprio de economia criativa, baseado na diversidade cultural da região. Segundo ele, essas economias têm potencial não só para gerar riqueza, mas também para fortalecer a identidade, a integração e a democracia, enfrentando desigualdades históricas profundamente enraizadas.
Avanços e desafios para a economia criativa na Ibero-América
Durante o encontro, foram apresentados avanços relevantes do Programa Ibero-Americano de Indústrias Culturais e Criativas (PIICC), que desde sua criação em agosto de 2024 é presidido pelo Brasil. Um destaque foi a ampliação da Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa (Escult), que oferecerá 17 mil vagas para capacitação na região. A iniciativa busca fortalecer a circulação do conhecimento e preparar os profissionais para os desafios da transformação tecnológica, com bolsas de estudo em digitalização e direitos culturais.
Outro ponto importante foi o processo de atualização da Carta Cultural Ibero-Americana. O documento, fundamental para a integração cultural da região, passará a incorporar o conceito de economia criativa e temas contemporâneos, como inteligência artificial e a inclusão da perspectiva de gênero. Enrique Vargas, coordenador do Espaço Cultural Ibero-Americano da Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB), ressaltou a necessidade de modernizar a Carta para que reflita as realidades atuais da região.
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Fonte: soudebh.com.br
Cooperação e novas parcerias fortalecem o setor cultural
O diretor-geral de Cultura da Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), Raphael Callou, ressaltou que o PIICC tem ampliado a capacidade dos países em responder a desafios comuns, gerando consensos políticos para fortalecer as economias criativas. O Chile participou pela primeira vez do Foro, representado por Camila Gallardo Valenzuela, que destacou a relevância da cooperação para regiões com menos acesso a mercados internacionais.
Além disso, durante a reunião foram firmados acordos importantes, como o termo de cooperação entre o Foro e a Fundação Itaú, focado em um plano de trabalho para a economia criativa. Também foi anunciado um acordo com El Salvador para a realização do primeiro mercado de indústrias criativas do país, previsto para novembro de 2026.
Proteção e direitos para trabalhadores da cultura
Um dos momentos centrais da reunião foi a apresentação do Estatuto Ibero-Americano da Pessoa Artista e Trabalhadora da Cultura, aprovado por 17 países em março de 2026. O documento traz mais de 380 medidas que visam garantir direitos, proteção social, remuneração justa e dignidade laboral para profissionais do setor cultural. A convocatória para assistências técnicas, que apoiarão a implementação do Estatuto nos países membros, será aberta em 10 de junho.
Política Nacional de Economia Criativa e novidades no Rio2C
Márcio Tavares anunciou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará no Rio2C neste sábado (31) para assinar o Decreto Presidencial que institui a Política Nacional de Economia Criativa, batizada como Brasil Criativo. Além disso, será lançada a Tela Brasil, plataforma pública e gratuita de streaming 100% nacional, que promete ampliar o acesso à produção cultural brasileira.
Cláudia Leitão, secretária de Economia Criativa do MinC, ressaltou que a nova política pretende inserir a criatividade e a cultura como elementos centrais no desenvolvimento do país, destacando que o Brasil é mais do que um exportador de commodities, mas uma nação rica em diversidade cultural e criativa.
Participação de atores estratégicos e circulação cultural
O evento contou com a presença de Milton Bittencourt, representante da Petrobras, que destacou o investimento da empresa no setor cultural, totalizando cerca de US$ 50 milhões em projetos no último ano. Rafael Lazarini, CEO do Rio2C, reforçou o papel do evento em atrair a atenção global para a criatividade no Rio de Janeiro, consolidando o festival como um dos maiores do hemisfério sul.
A secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, Danielle Barros, apresentou a plataforma Hola Rio, iniciativa que promove a circulação artística na América Latina. Com quatro edições já realizadas, a plataforma envolve mais de 600 profissionais, 100 projetos e alcança mais de seis países e 17 cidades, fomentando a integração cultural regional.

