Histórias de Superação nas Águas do Madeira
A rotina das voadeiras que cruzam o Rio Madeira revela não apenas um meio de transporte, mas sim um caminho de superação e esperança para estudantes ribeirinhos. Essas embarcações conectam comunidades isoladas ao sistema educacional, permitindo que crianças e adolescentes sonhem alto. Entre os pilotos, há aqueles que um dia foram alunos, pais que agora conduzem seus filhos até a escola e jovens determinados a se tornarem médicos, engenheiros ou professores. O transporte escolar fluvial tem desempenhado um papel vital, atuando como uma verdadeira ponte entre o presente e o futuro.
Uma das histórias que merecem destaque é a de Clénir Souza de Oliveira. Quando criança, ela enfrentava dificuldades para chegar à escola. Hoje, como mãe, decidiu fazer diferente: durante anos, atravessou o Rio Madeira em uma jornada de aproximadamente 40 minutos, partindo da comunidade de Bom Será rumo ao distrito de São Carlos, apenas para garantir que seus filhos tivessem acesso à educação. Essa travessia diária não apenas moldou o futuro de seus filhos, mas também inspirou Clénir a mudar sua própria trajetória.
Depois de enfrentar desafios e se tornar a aluna mais velha da turma, Clénir conseguiu concluir sua formação. Em seguida, participou de uma capacitação oferecida pela Seduc em parceria com a Marinha do Brasil, onde conquistou a habilitação para atuar como monitora escolar fluvial. Hoje, ela navega em uma das voadeiras do transporte escolar estadual, acompanhando, entre outros alunos, sua própria neta. “É gratificante ver como estou ajudando as crianças a realizarem seus sonhos. Isso me emociona”, revela Clénir.
Importância do Transporte Escolar Fluvial
No distrito de São Carlos, onze embarcações da Seduc são responsáveis pela travessia diária de dezenas de estudantes. Para Shirlane Nobre Amorim, diretora da Escola Estadual de Ensino Médio Professora Juracy Lima Tavares, esse meio de transporte é um instrumento essencial de inclusão e igualdade de oportunidades. “O governo garantiu transporte com embarcações adequadas, motores novos e profissionais capacitados, incluindo mulheres das próprias comunidades. Isso fez toda a diferença. Agora, nossos alunos têm assegurado o direito de estudar e participam das mesmas oportunidades que os estudantes da cidade, como o Enem e competições escolares”, afirma a diretora.
O transporte escolar fluvial em Rondônia é fruto de um planejamento cuidadoso e de uma responsabilidade pública voltada para a transformação social. Recentemente, esse serviço passou por uma reestruturação significativa para se tornar mais seguro e eficiente, garantindo o acesso à educação para as comunidades ribeirinhas.
Em dezembro de 2022, após recomendações do Ministério Público do Estado de Rondônia (MP-RO), a responsabilidade pelo transporte escolar fluvial em Porto Velho foi transferida do município para o governo do estado. Essa mudança visa garantir a regularidade do serviço e a continuidade do acesso à educação para as comunidades que dependem dos rios como principal via de acesso às escolas.
Reestruturação e Eficiência
A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) iniciou um processo detalhado de reorganização do transporte escolar fluvial. O objetivo é oferecer um serviço mais eficiente e seguro, com ênfase na melhoria das embarcações, adequação às normas da Marinha do Brasil e a implementação de rotas organizadas. Essa mudança também contempla mecanismos de fiscalização e acompanhamento para garantir a qualidade do serviço.
De acordo com o governador Marcos Rocha, fortalecer o sistema de transporte escolar fluvial é um compromisso com o futuro das comunidades ribeirinhas. “Investir neste serviço é um sinal de respeito e um passo importante para o futuro dos nossos estudantes”, afirma.
Desafios e Oportunidades
A reestruturação do transporte escolar fluvial exigiu um planejamento técnico sólido e um alinhamento administrativo eficaz. A Seduc trabalhou para redefinir rotas, estruturar contratos e assegurar que as embarcações atendam às normas de segurança, além de implementar rotinas de monitoramento adequadas.
Miriam Mendes, gerente de Transporte Escolar da Seduc, enfatiza que o trabalho foi realizado com responsabilidade e diálogo constante com órgãos de controle. “Esse transporte não só garante acesso à educação, mas também gera desenvolvimento social. E o mais importante é que os profissionais envolvidos são da própria comunidade, o que valoriza as famílias e cria oportunidades de emprego e renda”, acrescenta. Com uma abordagem estratégica e investimentos adequados, o serviço ganhou novos padrões de qualidade e segurança.
Segundo Massud Badra, titular da Seduc, a reorganização trouxe um modelo mais eficiente para atender as comunidades ribeirinhas. “Com investimentos e acompanhamento institucional, conseguimos fortalecer o transporte escolar fluvial, proporcionando mais segurança e dignidade aos estudantes e suas famílias”, destaca.
A Nova Fase do Transporte Escolar Fluvial
Conforme o plano de referência, o transporte escolar fluvial agora contempla 70 embarcações dedicadas às comunidades ribeirinhas, beneficiando mais de 900 estudantes em Porto Velho. O serviço atende diversas escolas em distritos como Calama, Cujubim Grande, Nazaré e São Carlos, assegurando que as crianças tenham acesso à educação de qualidade, independentemente de sua localização.
O transporte escolar fluvial representa um passo importante para a inclusão educacional nas comunidades ribeirinhas, transformando a realidade de muitas famílias e promovendo um futuro mais promissor para as gerações que virão.

