Casos de Sarampo em Ascensão
O Brasil está em alerta máximo devido ao surto de sarampo que se espalha por vários países das Américas. Dados recentes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) revelam que em 2022 foram notificados 14.891 casos de sarampo no continente, dos quais 38 ocorreram no Brasil. Este número representa quase 32 vezes o total de ocorrências registradas no ano anterior, que somou 446 casos.
Entre janeiro e março de 2023, a situação se agravou, com mais de 7.145 casos já confirmados. O primeiro caso no Brasil foi detectado recentemente, em uma bebê de 6 meses no estado de São Paulo, que contraiu a doença após uma viagem à Bolívia — um dos países que enfrenta um grave surto.
Casos Importados e Desafios de Imunização
A maioria dos casos registrados no Brasil está relacionada a pessoas que contraíram a doença fora do país, seja por não estarem vacinadas ou por viajantes estrangeiros. Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações, destacou o desafio que o Brasil enfrenta devido ao seu grande apelo turístico.
“Nosso país possui diversas áreas que atraem turistas, desde o litoral até a Amazônia e o Pantanal. A proximidade com fronteiras terrestres e cidades gêmeas facilita a circulação de pessoas, aumentando o risco de importação do vírus”, explicou Gatti.
Em resposta, o Ministério da Saúde intensificou campanhas de vacinação nas regiões fronteiriças e está aprimorando a vigilância em estados e municípios considerados mais vulneráveis. As ações incluem desde campanhas de vacinação preventiva até investigações em residências e laboratórios onde pode ter havido transmissão do sarampo.
Preparativos para Eventos Internacionais
Gatti ressaltou que a proximidade da Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá nos Estados Unidos, Canadá e México — países que lideram o número de casos —, é motivo de preocupação adicional. “Estamos atentos a isso e trabalhando com a Anvisa para disseminar informações sobre sarampo nos aeroportos e cruzeiros, garantindo que o tema permaneça sempre presente”, afirmou.
Importância da Vacinação
A vacinação continua sendo a principal estratégia de prevenção contra o sarampo. Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, enfatizou a importância de elevar a taxa de cobertura vacinal no Brasil. “As vacinas que utilizamos são do tipo esterilizante, ou seja, além de proteger, evitam que as pessoas se tornem portadoras e transmissoras do vírus”, afirmou Kfouri.
O calendário básico do SUS preconiza duas doses da vacina contra o sarampo: a primeira aos 12 meses de idade, como parte do imunizante tríplice viral, e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral. Em situações de surto, uma dose adicional, chamada de “dose zero”, pode ser administrada para oferecer proteção temporária.
No último ano, aproximadamente 92,5% dos bebês receberam a primeira dose, mas apenas 77,9% completaram o esquema vacinal na idade recomendada. É crucial que todos com até 59 anos que não tenham recebido as duas doses da vacina busquem se imunizar.
A Manutenção do Certificado de Área Livre de Sarampo
Atualmente, o Brasil mantém o certificado de “área livre de sarampo”, uma conquista alcançada por não ter transmissão sustentada da doença em seu território. Embora o risco de perder esse status seja baixo por enquanto, as autoridades de saúde permanecem em estado de alerta. O objetivo é garantir que a população esteja protegida e a circulação do vírus seja controlada.

