Mudanças na Distribuição dos royalties do petróleo
O Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes a julgar a constitucionalidade da Lei 12.734, de 2012, que visa reformular a distribuição dos royalties e da participação especial do petróleo e gás, buscando reduzir as desigualdades entre estados e municípios produtores e demais regiões do país. Essa questão está em pauta há 13 anos e promete trazer mudanças significativas para a economia brasileira.
O debate em torno da lei é complexo. A legislação atual tem favorecido o Rio de Janeiro, que, apesar da má gestão e de crises políticas, se beneficiou com receitas elevadas durante os picos de preço do petróleo. No entanto, especialistas alertam que essa situação pode distorcer as prioridades fiscais do estado, levando a um aumento incontrolável da folha de pagamento e, consequentemente, ao agravamento da crise fiscal.
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Embora o Rio de Janeiro tenha sua relevância como um dos principais destinos turísticos do Brasil, a realidade é que o país conta com diversos outros polos que também necessitam de investimentos e recursos para desenvolver sua infraestrutura. A argumentação de que o estado carioca deveria receber uma fatia maior dos royalties pelo seu papel histórico pode representar um risco moral, ou seja, encorajar práticas de gestão inadequadas.
Um estudo realizado por Pricilla Santana, secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul, e Sérgio Gobetti, economista, enfatiza que a receita do Rio de Janeiro, que em 2012 era de R$ 8 bilhões, poderia ter alcançado R$ 17 bilhões em 2025, mesmo com a implementação da nova legislação. Isso sugere que o estado já teria um crescimento significativo na arrecadação, independentemente da continuidade das regras atuais.
No ano passado, o estado recebeu R$ 26 bilhões, mas isso ocorreu em detrimento dos demais estados e municípios não produtores, que também precisam de recursos para melhorar suas condições financeiras. Vale lembrar que a situação fiscal do Rio de Janeiro permanece crítica, mesmo após esses aportes.
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Ainda segundo Bráulio Borges, economista da LCA Consultores e da FGV-IBRE, com o crescimento projetado de 40% na produção de petróleo e gás natural no Brasil nos próximos dez anos, os estados e municípios que atualmente recebem royalties não enfrentariam redução na arrecadação, mesmo que as regras de distribuição fossem alteradas.
Isso levanta a questão: por que continuar a privilegiar alguns estados e municípios, quando a produção de petróleo em sua maioria é realizada em áreas marítimas e, portanto, pertence à União? Borges ressalta que um volume considerável de recursos está em jogo – R$ 139 bilhões previstos para 2025 e R$ 180 bilhões para este ano, impulsionados pela alta dos preços do petróleo devido a conflitos no Oriente Médio.
No entanto, o economista alerta que a redivisão mais equitativa dos royalties não é suficiente. Também é necessário estabelecer mecanismos que garantam uma melhor aplicação desses recursos, especialmente em tempos em que a fragilidade fiscal é um dos principais obstáculos ao crescimento sustentável no Brasil. Essa reflexão sobre o uso eficiente dos recursos públicos será crucial, independentemente da decisão do STF em relação à Lei 12.734.
Assim, a expectativa é que o julgamento do STF possa modificar a forma como os royalties do petróleo são distribuídos, abrindo caminhos para um uso mais responsável e equitativo desses recursos. A sociedade aguarda ansiosamente por essa decisão, que, acreditam muitos, deve ser favorável à constitucionalidade da lei.

