Desafios e Oportunidades no Mercado Brasileiro
No último sábado, o CEO global da H&M, Daniel Ervér, lançou oficialmente a primeira loja da rede de vestuário no Rio de Janeiro, e já se mostra otimista, planejando a abertura de novas unidades na cidade e em outras regiões do Brasil. Em entrevista ao GLOBO, Ervér descreveu o Brasil como um mercado que, apesar de suas complexidades, possui um imenso potencial, podendo se tornar um motor de crescimento para a marca sueca.
“O desafio no Brasil não está na falta de demanda, mas em encontrar os locais certos para nossas lojas,” enfatizou o executivo. Durante sua visita ao shopping Rio Sul, onde a unidade foi inaugurada, Ervér comentou sobre a experiência dos 87 funcionários da loja, que passam a ter duas folgas semanais, ao contrário do modelo tradicional 6×1 que atualmente está em discussão no Congresso.
A H&M pretende adaptar sua estratégia de marketing para associar a marca à cultura local, promovendo campanhas globais que são influenciadas por personagens e elementos da cidade carioca. “Estamos lançando a campanha ‘Olá, Rio’ para mostrar nosso interesse genuíno pela cultura brasileira,” afirmou.
Um Olhar Crítico sobre o Mercado
Com uma trajetória de mais de 20 anos dentro da H&M, Ervér começou como estagiário e, ao longo do tempo, ocupou funções na Alemanha e nos EUA antes de se tornar CEO há pouco mais de dois anos. Ele rejeita a rotulação de fast fashion, defendendo que a marca busca atender a demanda por roupas duráveis, que possam ser passadas de uma geração para outra. “Minha filha mais nova, por exemplo, herda roupas das irmãs”, exemplificou.
No entanto, a entrada da companhia no Brasil ocorre em um cenário econômico desafiador, marcado por altos juros, inflação e elevado endividamento da população. “Esses fatores aumentam a pressão para tomarmos as decisões certas sobre nossos preços,” disse Ervér. A busca por fornecedores locais é uma estratégia visada para melhorar a competitividade da marca no país, onde a H&M já trabalha com parceiros em categorias como jeans e moda praia.
Estratégias de Expansão e Adaptação
A H&M iniciou sua jornada no Brasil após uma análise cuidadosa do mercado. “Quando decidimos entrar no Brasil, foi uma escolha bastante consciente, visando todo o potencial que o país oferece,” explicou Ervér. A marca se associou ao Grupo Dorben, que atua na administração de lojas de grifes na América Latina, para facilitar sua entrada no mercado brasileiro.
Com lojas já abertas em Campinas e São Paulo, e uma campanha de lançamento que conquistou a atenção do público, a H&M se prepara para a abertura de mais unidades, incluindo locais como as shoppings populares do Rio. O executivo destacou ainda que existe uma preocupação constante em garantir que o melhor preço seja oferecido aos consumidores, ressaltando que mesmo diante de um cenário econômico complicado, há espaço para crescimento.
Adaptação ao Consumidor Local
Ervér também falou sobre a importância de adaptar a oferta da H&M às preferências do consumidor brasileiro. “É fundamental que nossos produtos reflitam o gosto do público local,” afirmou, observando que os brasileiros tendem a valorizar moda e estilos mais elaborados. Essa adaptação inclui tanto o design das peças quanto a qualidade dos materiais utilizados.
Questionado sobre as plataformas de revenda de vestuário que a H&M já opera em outros países, Ervér sugeriu que essa possibilidade não está descartada para o Brasil, mas que a prioridade atual é fortalecer a rede de fornecedores locais.
Perspectivas e Competitividade no Mercado
Sobre o cenário competitivo, Ervér reconheceu a forte presença de concorrentes nacionais e internacionais, ressaltando que o Brasil exige um esforço adicional para conquistar os melhores espaços comerciais. “Estamos focando em shoppings de maior relevância no Rio e planejando nossa expansão para capitais como Belo Horizonte e Brasília nos próximos anos.”
A companhia ainda não divulgou valores exatos sobre o investimento no país, mas confirmou a expansão de sua equipe, que conta atualmente com cerca de 600 colaboradores. Além disso, um novo centro de distribuição em Minas Gerais está em expansão, aumentando sua capacidade de operação.
Concluindo sua análise do ambiente de negócios no Brasil, Ervér destacou que a carga tributária e os altos custos representam desafios, mas a empresa continua aprendendo e se adaptando, buscando maneiras eficazes de operar em um mercado tão dinâmico.

