Confiança na Ciência em Xeque
Mesmo aqueles que desenvolveram uma postura crítica diante do cientificismo estreito se surpreendem com a rapidez com que a confiança na metodologia científica vem se desgastando. A erosão não ocorre apenas por influência externa, como a propagação de fake news e bolhas ideológicas; fissuras internas também crescem visivelmente, comprometendo a solidez do conhecimento.
Fraudes e Reprodutibilidade na Era da Inteligência Artificial
Historicamente, pressões para manipular dados em busca de posições e recursos foram constantes. No entanto, com o avanço da inteligência artificial, a desonestidade científica deixou de ser um processo artesanal, entrando na era da reprodutibilidade generativa. Por outro lado, ferramentas técnicas para detectar fraudes se aprimoraram, resultando no aumento expressivo de cancelamentos (retractions) de artigos científicos. Ainda assim, a produção total de publicações cresce tão rápido que vigilantes humanos e robóticos têm dificuldade em acompanhar.
Muitos trabalhos fraudulentos escapam do cancelamento, e alguns, mesmo após serem retractados, continuam circulando como “artigos zumbis”, citados em outras pesquisas. Essa situação é especialmente preocupante na biomedicina, onde dados contaminados podem influenciar revisões sistemáticas — estudos que reúnem estatísticas para avaliar a eficácia e segurança de tratamentos e orientar práticas clínicas.
Leia também: Descrença na Ciência e o Impacto da Inteligência Artificial na Pesquisa Científica
Fonte: novaimperatriz.com.br
Leia também: Confiança na Ciência em Risco: Desafios e Impactos Atuais
Fonte: soudesaoluis.com.br
Desafios na Medicina Baseada em Evidências
A medicina baseada em evidências considera a base Cochrane como referência máxima para objetividade científica. Revisões sistemáticas aprovadas por essa organização fundamentam consensos clínicos e orientam políticas públicas e diretrizes médicas. Contudo, uma análise interna da Cochrane revelou que quase 1% das 9.500 revisões contêm artigos “mortos-vivos”. Atualmente, há um esforço para identificar esses trabalhos e avaliar se eles comprometem as conclusões das revisões.
Pressões Ideológicas e Negacionismo Climático
Esse movimento representa uma tentativa racional diante do aumento de informações falsas que corroem o valor das evidências. As decisões em políticas públicas e diretrizes clínicas hoje são influenciadas também por convicções ideológicas, fato evidenciado durante a pandemia. Na ciência do clima, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) desempenha papel semelhante ao da Cochrane, enfrentando ataques constantes, especialmente de países como Arábia Saudita e Índia, que questionam metas importantes como a limitação do aquecimento global a 1,5ºC definida em Paris (2015).
Leia também: Desconfiança na Ciência Cresce com Avanço da Inteligência Artificial e Fake News
Fonte: bahnoticias.com.br
Essa postura persiste mesmo diante do impacto humano, como as estimativas da Organização Mundial da Saúde que apontam cerca de 200 mil mortes evitáveis na Europa em quatro anos devido a ondas de calor intensas, como a atual que afeta o continente.

