Desafios Educacionais no RN
A crise na educação pública do Rio Grande do Norte foi ressaltada pelo vereador e pré-candidato a deputado estadual Leo Souza (PSDB), que a considera um dos principais obstáculos ao progresso do estado. Em entrevista à rádio Mix FM, ele argumentou que o ensino local não está acompanhando as transformações globais e enfrenta dificuldades estruturais significativas, como a escassez de professores e a baixa qualidade da aprendizagem.
“Se você parar para olhar o desafio que é, vou falar aqui do que não aprende em matemática. Feliz é quem tem um professor de matemática na rede pública. É muito difícil”, afirmou. Para Leo, a deficiência na formação básica compromete a competitividade dos jovens potiguares em um mundo cada vez mais exigente.
Enquanto o mundo avança em tecnologia e inovação, a rede pública do RN ainda enfrenta carências fundamentais. A situação é preocupante, e, segundo Leo, “enquanto o mundo está falando de cultura maker, de robótica, de inteligência artificial… você chega numa rede pública e o professor tem o desafio de permanecer na sala de aula, além de ter o professor presente”, enfatizou. Ele destaca que o problema não se limita apenas à qualidade do ensino, mas também à presença efetiva dos profissionais nas salas de aula.
Indicadores de Desempenho Preocupantes
Os dados educacionais corroboram essa análise. No ensino médio, o Rio Grande do Norte apresenta uma nota de 3,2 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), um dos piores resultados do país. Nas etapas anteriores, o estado mantém-se entre as últimas colocações nacionais, evidenciando um problema persistente em todo o ciclo educacional.
Leo também ressaltou o impacto dessa defasagem no futuro dos estudantes. “É difícil você estar conectado com tudo isso que está acontecendo, sabendo que o cara que nasce aqui compete com gente do mundo todo, e com o desafio que é ser de onde a gente é”, acrescentou. Esta declaração reforça a percepção de desigualdade estrutural enfrentada pelos alunos da rede pública.
Além dos índices educacionais, o estado ainda lida com altos níveis de analfabetismo. Dados recentes do IBGE indicam que cerca de 10,4% da população potiguar com 15 anos ou mais não sabe ler nem escrever, um percentual superior à média nacional. Este dado evidencia que o problema educacional vai além das questões atuais, carregando um histórico complexo e desafiador.
Impacto Pessoal e Questões Geracionais
Leo compartilhou um recorte pessoal para enfatizar o impacto da educação em sua vida. “Isso faz parte da minha vida. Eu sou fruto da educação que deu certo”, comentou. Filho de professora e neto de uma empregada doméstica, ele destacou que a educação foi crucial para a mobilidade social da sua família. “Foi graças à minha mãe ser professora que pudemos ter mobilidade social”, disse.
Ele também abordou um problema geracional no estado, especialmente entre jovens de classe média. “A gente é uma geração que tem desistido desse estado, que tem ido embora”, lamentou. De acordo com Leo, muitos não veem perspectivas de crescimento no Rio Grande do Norte. “Eu tenho amigos que me questionam: você é maluco? Como é que você deixa de estar trabalhando no Rio de Janeiro para voltar para o Rio Grande do Norte? Aqui, quem quer crescer é boicotado”, disse, apontando que esse cenário está diretamente ligado à fragilidade da estrutura educacional e às limitações do ambiente local.
Necessidade de Soluções Concretas
Ao criticar o debate político, o vereador destacou que a educação é frequentemente tratada de maneira superficial. “Quem é o candidato que não disse que vai melhorar a educação?”, questionou. Em seguida, ele classificou a situação como histórica e estrutural. “É a ferida nossa.” Para Leo, embora a saúde seja atualmente a área mais sensível, a educação está na raiz de muitos problemas enfrentados pelo estado. “Eu não tenho dúvida que a saúde é o maior problema do Estado, mas a educação é a razão de tantas outras coisas que vivemos aqui”, disse. Ele defendeu ações efetivas. “Falar do problema é confortável. Mas precisamos propor soluções.
O diagnóstico se estende ao âmbito econômico. Para Leo, o estado enfrenta um desequilíbrio fiscal e uma baixa capacidade de investimento. “É uma dívida muito maior do que a arrecadação”, afirmou. Segundo ele, o próximo governo terá de enfrentar reformas desafiadoras e um período inicial de impopularidade. “Não tem como ser um governo popular. Terá que encarar o óbvio”, ressaltou.
Potencial e Burocracia
Ele também criticou o ambiente de negócios no Rio Grande do Norte, comparando-o com estados vizinhos. “Na Paraíba, em 72 horas você resolve um licenciamento. Aqui, tem gente esperando há 72 meses”, denunciou. Para Leo, a burocracia, a estrutura engessada e a falta de mão de obra em órgãos públicos afastam investimentos e limitam o crescimento econômico.
Apesar das críticas, o vereador reconheceu o potencial do estado. “É um estado com um potencial incrível, mas que infelizmente ainda está adormecido, atrasado”, disse. Ao comparar com a Paraíba, ele mencionou a perda de competitividade. “A Paraíba não só deu o grande salto, como deu duas voltas na gente.”
Por fim, Leo chamou a atenção para o momento global de transformação tecnológica. “Estamos vivendo um momento incrível da humanidade, com avanços sem precedentes”, destacou, citando a inteligência artificial como exemplo. Para ele, o Rio Grande do Norte precisa se inserir nesse contexto. “Não podemos permanecer na idade da pedra aqui no estado.”

