Economia brasileira registra avanço em maio, mas desaceleração alerta setores em Petrópolis
A economia do Brasil voltou a crescer em maio, conforme aponta o Monitor do Produto Interno Bruto (PIB) da Fundação Getulio Vargas (FGV). No entanto, os sinais de desaceleração observados nos meses anteriores indicam a necessidade de cautela para empresários e consumidores, sobretudo em cidades com forte presença dos setores de comércio, indústria, serviços e turismo, como Petrópolis.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, a atividade econômica cresceu 0,7% entre abril e maio. No trimestre móvel até maio, o avanço foi de 1,9% em comparação ao mesmo período de 2025, enquanto o crescimento acumulado em 12 meses foi de 1,7%. Esses números indicam uma retomada após a estabilidade de março e a leve retração de abril, embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado em relação aos meses anteriores.
Consumo das famílias impulsiona crescimento, mas desafios seguem para Petrópolis
O principal responsável pelo desempenho positivo da economia foi o consumo das famílias, que subiu 3,3% no trimestre encerrado em maio. Mais de 60% desse avanço veio dos setores de serviços e bens duráveis. Para Petrópolis, isso representa uma oportunidade para o comércio, serviços e turismo, que podem continuar em alta, apesar de um cenário de maior seletividade dos consumidores e cautela das empresas.
O economista Natale Papa destaca que, apesar da economia nacional seguir crescendo, o ritmo mais moderado deve refletir na cidade. “Comércio, serviços e turismo podem manter demanda, mas com consumidores mais criteriosos e empresas que agirão com mais prudência. A indústria também sentirá a desaceleração, especialmente se os investimentos diminuírem. Isso implica uma economia local ativa, porém com menor impulso para expansão e geração de novos negócios”, avalia.
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O consumo das famílias abre uma janela para setores ligados ao turismo, alimentação, lazer e varejo, que são pilares importantes para a economia petropolitana. No entanto, Papa ressalta que o crescimento nacional ainda não garante uma forte aceleração local, já que o impacto dependerá da renda disponível, do acesso ao crédito e da confiança do consumidor.
Investimentos e exportações pedem atenção para evitar desaceleração prolongada
Embora o consumo seja o motor principal do crescimento, outros indicadores preocupam. O ritmo de crescimento das exportações caiu para 4,3%, o menor desde o segundo trimestre de 2025, impactado principalmente pela desaceleração das exportações da indústria extrativa mineral. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede os investimentos na economia, cresceu 2% no trimestre até maio, mas ainda é vista com cautela por especialistas.
Para Natale Papa, depender quase exclusivamente do consumo limita o desenvolvimento econômico no médio prazo. “Menor dinamismo nas exportações e investimentos mais fracos são sinais de alerta, já que são essenciais para sustentar o crescimento a médio e longo prazo. O consumo mantém a economia aquecida no curto prazo, mas sem investimentos, a capacidade produtiva, produtividade e geração de empregos ficam comprometidas. Na Região Serrana, isso pode significar um crescimento mais dependente do comércio e serviços, com menor dinamismo industrial e risco de desaceleração na criação de empregos”, explica.
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Perspectivas para o restante do ano indicam crescimento moderado
O Monitor do PIB da FGV estima que a economia brasileira movimentou R$ 5,466 trilhões até maio. Outros indicadores recentes também apontam crescimento, ainda que tímido. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), prévia do PIB, teve alta de apenas 0,1% entre abril e maio.
O resultado oficial do PIB do segundo trimestre de 2026 será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1º de setembro. Enquanto isso, as projeções do mercado financeiro, conforme o boletim Focus do Banco Central, indicam crescimento de 1,99% para este ano. O Ministério da Fazenda é um pouco mais otimista, estimando uma expansão de 2,3% para o período.
Em resumo, o cenário atual da economia brasileira, apesar do crescimento recente, aponta para um ritmo mais moderado que impacta diretamente setores essenciais para cidades como Petrópolis. O consumo das famílias segue sendo o principal motor, mas o desempenho dos investimentos e das exportações demanda atenção para evitar uma desaceleração mais profunda que afetaria empregos e negócios locais.

