Ação Inovadora no Combate ao Machismo
A educação transformadora é aquela que prepara os jovens para lidar com desigualdades e preconceitos. Nesse espírito, o Centro Estadual de Educação Profissional José Figueiredo Barreto, localizado em Aracaju, recebeu nos dias 16 e 17 de [mês] a equipe do Instituto Mapear, com sede no Rio de Janeiro, para realizar oficinas voltadas para a desconstrução do machismo. Esta ação faz parte de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Educação (Seed) e a Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres (SPM), que integra o programa ‘TransformAção’, focando em temáticas que promovem o respeito entre gêneros e o combate à violência.
As oficinas foram realizadas em duas etapas: na quinta-feira, dia 16, os professores participaram de uma formação, enquanto na sexta-feira, dia 17, foi a vez dos alunos do 1° e 2° anos do Ensino Médio, com o intuito de discutir a construção da identidade masculina e os preconceitos envolvidos nesse processo.
No evento de sexta-feira, cerca de 30 meninos se reuniram para um momento de capacitação, conduzido pelo diretor do Instituto Mapear, Luciano Ramos. O encontro ocorreu na biblioteca da escola e contou com diálogos interativos, onde os estudantes compartilharam relatos sobre as implicações de uma masculinidade pautada no machismo, caracterizada pela força, repressão emocional e uma suposta superioridade sobre as mulheres.
A secretária adjunta da SPM, Isabela Mazza, e o delegado de polícia do Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), Gabriel Moura de Sá, também estiveram presentes, ressaltando a importância dessa iniciativa para a formação de cidadãos mais conscientes e preparados para prevenir a violência contra as mulheres. “Estamos observando um aumento preocupante nos índices de feminicídios e violência contra a mulher. Por isso, é fundamental sensibilizar os estudantes para que aprendam que ser homem não implica ser agressivo ou temeroso em relação às suas emoções. A desconstrução dessas verdades prejudiciais é essencial”, enfatiza Mazza.
Luciano Ramos, por sua vez, destaca o papel da educação na transformação de comportamentos machistas. “Através dessa escola, vocês mostram que é possível moldar meninos em jovens que desenvolvam uma masculinidade saudável. Acreditamos que a mudança na violência de gênero deve começar com os meninos e os homens. Portanto, a escola é um ambiente crucial, onde eles passam uma parte significativa de suas vidas”, afirma.
O delegado Gabriel Moura de Sá acrescenta que as oficinas promovem uma conscientização necessária entre os jovens. “Estamos despertando neles uma consciência antimachista e enfatizando a importância de entender as questões de gênero como um elemento essencial para reduzir a violência. Observamos uma vontade genuína nos adolescentes de aprender e evoluir em direção a uma cidadania mais respeitosa”, conclui.
Após as oficinas, cinco estudantes foram selecionados como ‘multiplicadores’, ou seja, eles terão a responsabilidade de disseminar os conhecimentos adquiridos em toda a escola.
Programa TransformAção: Uma Iniciativa Abrangente
As atividades realizadas durante os dois dias estão integradas ao Programa TransformAção, que já tem presença na escola. Essa iniciativa, fruto da parceria entre a Seed e a SPM, visa educar a comunidade escolar sobre a importância do respeito entre os gêneros, como forma de combater preconceitos que foram enraizados na sociedade ao longo dos anos e que estão sendo confrontados de maneira mais incisiva nos últimos tempos.
De acordo com a diretora da escola, Deise Nascimento, “a ideia é transformar a mentalidade dos alunos, desconstruindo as crenças que eles trazem de seus lares e contextos culturais a respeito das questões de gênero. Temos uma apostila que é distribuída pelo programa ‘Ser Cidadão’, onde o professor realiza atividades e complementa o conteúdo em sala de aula”.
A professora Karla de Souza Menezes, que leciona Biologia e Projeto de Vida, não hesitou em aceitar o convite do Instituto Mapear. “Aceitei de imediato, pois a proposta se alinha ao nosso projeto e às vivências dos meninos. O foco está na desconstrução e na construção de novas visões sobre a masculinidade”, comentou. O objetivo do programa é garantir que todos os estudantes, desde o 1° ano do Ensino Médio, sejam educados sobre o respeito entre os gêneros, a valorização e proteção das mulheres, além do enfrentamento do machismo e do feminicídio.

