Exposição inaugura diálogo cultural entre Brasil e China
Foi aberta ao público, na última sexta-feira (26), a exposição Sabores da Tradição: História da Alimentação na China Antiga, no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. A cerimônia contou com a participação do ministro substituto da Cultura, Márcio Tavares, representantes do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), do Museu Nacional da China, do Consulado-Geral da China no Rio e de outras instituições parceiras. A iniciativa integra o Ano Cultural Brasil-China 2026 e reforça o intercâmbio cultural entre as duas nações.
A mostra apresenta uma imersão na alimentação chinesa antiga por meio de utensílios, técnicas culinárias, rituais e costumes à mesa, com peças originais do acervo do Museu Nacional da China. O público pode conhecer a trajetória dos saberes ligados à alimentação, que atravessam milênios e refletem a cultura milenar chinesa.
Trocas culturais e diálogo fortalecem o intercâmbio
Na abertura, a cônsul-geral da China no Rio, Tian Min, ressaltou o momento de fortalecimento das relações culturais entre Brasil e China. Ela destacou que a exposição se insere entre as principais atividades do Ano Cultural e acompanha outras iniciativas em arte, esporte e educação. “As civilizações ganham vitalidade pelo intercâmbio e enriquecem-se pela aprendizagem mútua”, afirmou Tian Min, enfatizando a importância de ampliar os laços culturais e interpessoais para construir um futuro compartilhado.
Representando o Ministério da Cultura, o ministro substituto Márcio Tavares lembrou que Brasil e China são civilizações plurais, marcadas por históricos diversos. Segundo ele, eventos como essa exposição promovem um reconhecimento mais profundo entre os povos. “A história da alimentação é exemplo claro de como as culturas enriquecem-se ao dialogar, sem perder sua identidade”, explicou, destacando a alimentação como espaço de encontro e criatividade cultural.
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Gastronomia como patrimônio e memória cultural
Fernanda Castro, presidenta do Ibram, reforçou que a mostra simboliza a parceria entre o Instituto e o Museu Nacional da China. Para ela, a alimentação é um dos domínios culturais que mais preserva a identidade, pois é vivida com corpo, memória e sentido de pertencimento. A gastronomia, segundo Fernanda, demonstra como as culturas se influenciam e transformam receitas e hábitos ao longo do tempo, revelando os museus como pontes culturais que promovem diálogo e paz.
O diretor do Museu Histórico Nacional, Cícero de Almeida, destacou a alimentação como patrimônio e expressão coletiva. Ele lembrou que civilizações se constroem também por gestos cotidianos ligados à comida, como semear, cozinhar e compartilhar. Para Cícero, a mesa é um espaço de transmissão de afeto e tradição, onde o alimento se transforma em cultura e memória. Citou ainda a máxima chinesa que define a comida como essência do povo, reforçando seu papel fundamental na existência humana e na organização social.
Um intercâmbio cultural que une histórias e sensibilidades
Luo Wenli, diretor do Museu Nacional da China, classificou a inauguração como marco para o intercâmbio entre os países. Ele destacou a alimentação como uma linguagem universal que revela a estética, a história e a visão de mundo da China Antiga. Segundo Luo, a cultura gastronômica chinesa incorpora sabedoria, humanismo e busca estética acumulados ao longo dos séculos.
O diretor mencionou a amizade entre Brasil e China e o sucesso da exposição de Candido Portinari em Pequim como exemplo da cooperação cultural. Apesar da distância geográfica, ressaltou que a cultura aproxima sensibilidades e experiências comuns entre os povos.
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Fonte: ctbanews.com.br
Conteúdo e circulação da exposição
Organizada em cinco núcleos temáticos, a exposição percorre a diversidade dos alimentos, o uso do fogo e bebidas quentes, os rituais, a estética dos utensílios e as trocas culturais entre Oriente e Ocidente. O público poderá ver peças em cerâmica, bronze, porcelana, jade, ouro e prata, além de recursos visuais que ampliam o entendimento sobre a cultura alimentar chinesa.
A mostra também evidencia a circulação global de ingredientes e técnicas culinárias, como o chá, arroz e tofu da China, e o tomate e milho oriundos do Ocidente, contando uma história de encontros e transformações culturais ao longo dos séculos.
Sabores da Tradição: História da Alimentação na China Antiga fica em cartaz no Museu Histórico Nacional até 11 de outubro de 2026, oferecendo ao público uma oportunidade única de mergulhar nas raízes e conexões culturais da alimentação milenar chinesa.

