Perda de Oportunidade para eleições diretas no Rio de Janeiro
Uma eleição suplementar direta para o mandato-tampão do governador do Rio de Janeiro é considerada, por especialistas em direito eleitoral, inviável. Segundo análise feita, o prazo para a organização deste pleito já foi perdido, especialmente com o encerramento, nesta quarta-feira (6), do período destinado à regularização do cadastro de eleitores.
A partir dessa data, a Justiça Eleitoral começa a preparar as urnas e a cumprir o calendário oficial das eleições regulares, programadas para outubro. Isso, efetivamente, impede a realização de uma nova eleição direta em simultâneo.
De acordo com juristas consultados pela CBN, a possibilidade de convocar uma eleição direta ainda existiria se houvesse uma decisão sobre a cassação do ex-governador Cláudio Castro até o início de abril. Se essa situação tivesse se concretizado, ainda haveria tempo para organizar o pleito dentro dos prazos legais adequados.
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O advogado Ary Jorge Nogueira, especialista em direito eleitoral, afirma categoricamente que as condições para conduzir uma eleição direta já não são mais viáveis. “Agora é impossível organizar uma eleição direta para governador do Rio de Janeiro. Materialmente, isso não é factível. O fechamento do cadastro para a eleição regular de outubro já ocorreu. Em razão disso, começam a correr todos os prazos das eleições regulares”, explica.
Nogueira continua, destacando a importância da janela de oportunidade que foi perdida. “Tínhamos um espaço para realizar essa eleição em junho, caso a decisão tivesse chegado no início de abril. A organização de um pleito envolve diversas etapas, e, atualmente, teríamos dois calendários eleitorais conflitantes. Perdemos essa janela de oportunidade”, complementa.
Dificuldades do Calendário Eleitoral
Outro ponto que reforça a análise de Nogueira é o cronograma estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições suplementares. Este tribunal define, anualmente, datas específicas que podem ser utilizadas para estas eleições. Para o ano em curso, há três datas pré-estabelecidas: 17 de maio, 21 de junho e 8 de novembro.
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Contudo, os prazos para as duas primeiras datas são considerados inviáveis. Além disso, se uma eleição ocorrer em outubro, a possibilidade de realizar uma nova votação em novembro é completamente descartada, já que o novo mandato teria que ser cumprido.
Com esse cenário em vista, cresce a expectativa de que o Supremo Tribunal Federal (STF) busque uma solução alternativa. Ary Jorge acredita que, ao que tudo indica, a tendência é que o Supremo adie o julgamento e mantenha Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, na posição de governador interino.
“Temos uma interseção entre fatores jurídicos e políticos. O Rio de Janeiro é um estado com uma população enorme e um peso político significativo. Existem diversos problemas políticos na Alerj que não são pertinentes a esta discussão, mas estão influenciando a situação. Tudo parece apontar para um adiamento do mandato de Couto, buscando uma solução jurídica que permita a posse do governador eleito em outubro”, conclui.
Expectativas sobre o Julgamento no STF
O julgamento no STF está estagnado desde o dia 9 de abril, quando o ministro Flávio Dino pediu vista. Na ocasião, a dúvida girava em torno da cassação ou não de Cláudio Castro pelo TSE. A definição sobre a motivação da vacância é crucial para determinar o formato da eleição que poderá ocorrer. Contudo, mesmo com a publicação do acórdão pela Corte Eleitoral, a resposta a essa questão ainda permanece em aberto, uma vez que o processo não transitou em julgado.
Vale ressaltar que o Ministério Público Eleitoral também recorreu ao TSE, solicitando que Cláudio Castro seja considerado oficialmente cassado, o que deverá prolongar ainda mais essa discussão.

