Avanços na Educação Integral
Na última terça-feira, 17 de outubro, representantes das áreas educacionais do Rio de Janeiro, Recife e Ceará se reuniram em São Paulo para discutir o avanço do ensino integral voltado para as juventudes em suas regiões. O evento, intitulado Seminário Internacional de Anos Finais Integrais – Redes que Transformam, contou com a participação de figuras importantes como Adriano Giglio, Subsecretário de Ensino da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro; Cecilia Cruz, Secretária Municipal de Educação do Recife; e Emanuelle Grace, Secretária-Executiva de Cooperação com Municípios do Ceará.
No Rio de Janeiro, Adriano Giglio destacou a complexidade de gerenciar uma rede municipal que engloba diversas unidades. “O desafio já começa em implementar ações que atendam a todas as escolas, respeitando suas particularidades. Temos experimentado a vocacionalização dos currículos nos anos finais, com algumas escolas focando em esportes, enquanto outras priorizam o aprendizado de um segundo idioma”, explicou. Essa diversidade de opções tem contribuído para elevar o engajamento dos estudantes e o seu sentimento de pertencimento. Além disso, Giglio mencionou os Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs), que incentivam a colaboração entre professores e promovem práticas pedagógicas que priorizam a ação. Atualmente, a rede municipal conta com mais de 360 escolas, das quais 57% oferecem ensino em tempo integral, enquanto 8% estão em processo de transição para essa modalidade.
Por sua vez, Recife está avançando na oferta de ensino integral, com 45 escolas, das quais 24 já funcionam nesse formato. A secretária Cecilia Cruz ressaltou que em 2021 existiam apenas 12 unidades em tempo integral. “O tempo integral é a nossa estratégia principal para os anos finais do ensino fundamental. Desde 2014, essa modalidade está disponível, mas percebemos que, até 2021, o currículo estava aquém do desejado para esse tipo de educação”, afirmou. Para solucionar esse desafio, a cidade passou por uma revisão da matriz curricular, contando com o apoio da ONG Motriz para o planejamento da expansão da política de tempo integral. Com isso, o número de estudantes matriculados cresceu de 91 mil para 110 mil, resultado de um processo que incluiu a escuta de 4 mil jovens, que foram chamados a se tornar protagonistas e a contribuir na busca por soluções para os problemas que enfrentam.
O Ceará também tem avançado nesse cenário. Emanuelle Grace, que representa a Secretaria-Executiva de Cooperação com Municípios, mencionou que a taxa de escolas em tempo integral no estado passou de 40% para 60%, segundo dados do último censo. Esse crescimento, segundo Grace, é atribuído ao suporte técnico-pedagógico oferecido a todos os 184 municípios cearenses. “Elaboramos um documento orientador que prioriza as necessidades dos adolescentes, além de cadernos de eletivas que dialogam diretamente com os estudantes em seus respectivos territórios”, afirmou.
O Seminário Internacional de Anos Finais Integrais – Redes que Transformam, promovido pela ONG Motriz em parceria com várias fundações, como a Lemann, Sonho Grande, Natura e Itaú, representa um passo significativo na discussão sobre como melhorar a educação integral no Brasil, integrando diferentes localidades e experiências para um aprendizado mais inclusivo e transformador.

