A Revolução da Inteligência Artificial nas Escolas
A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma mera ideia futurista, tornando-se uma ferramenta palpável e transformadora da sociedade. Apesar de sua implementação ainda avançar de forma lenta e sem regulamentação adequada no Brasil, sua presença já é uma realidade em nosso cotidiano. Na Câmara dos Deputados, onde atuo como presidente da Comissão Especial sobre Inteligência Artificial (PL 2338/23) e membro da Comissão de Educação, temos buscado promover discussões técnicas acerca do tema, afastando-nos de influências ideológicas.
Como ocorre com qualquer nova tecnologia, a IA traz consigo riscos e oportunidades. Vivemos um momento peculiar, onde a forma como regulamentarmos essa tecnologia poderá impactar significativamente o crescimento do país. Por um lado, uma regulamentação eficaz pode impulsionar nossa inovação; por outro, a falta de diretrizes pode engessar nosso desenvolvimento. Dentre as diversas áreas de aplicação da IA, a educação é, sem dúvida, uma das mais discutidas. A tecnologia tem o potencial de transformar radicalmente a maneira como ensinamos, aprendemos e avaliamos o conhecimento.
Resultados Positivos Através da IA na Educação Global
Experiências internacionais demonstram que a utilização da inteligência artificial na educação já gera resultados positivos. Nos Estados Unidos, por exemplo, notou-se um aumento na retenção de conteúdo e melhorias significativas no desempenho em matemática e leitura, especialmente em escolas públicas situadas em regiões mais vulneráveis. Na China, a adoção de sistemas personalizados de aprendizado elevou os índices de desempenho nas disciplinas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). A Finlândia, por sua vez, tem investido na formação de docentes para o uso pedagógico da IA, priorizando o desenvolvimento do pensamento crítico e da ética digital.
Os exemplos são variados e demonstram que boas práticas podem e devem ser adequadas à realidade brasileira. A aplicação da IA oferece a possibilidade de personalizar o ensino, permitindo que o conteúdo seja ajustado de forma individualizada. Além disso, a tecnologia pode servir como um auxiliar para os professores, ajudando na identificação ágil de defasagens de aprendizado, na elaboração de planos de aula, na correção de atividades e no monitoramento do desempenho dos alunos.
A IA Como Aliada do Professor, Não um Substituto
É crucial enfatizar que a inteligência artificial não tem a intenção de substituir os professores; muito pelo contrário. Essa tecnologia pode amplificar a atuação docente, proporcionando mais tempo para que os educadores realizem um acompanhamento humano e pedagógico, características que são inerentes ao ser humano. Ademais, a IA pode contribuir para a redução das desigualdades educacionais, tanto entre diferentes estados e regiões como também entre as redes pública e privada de ensino.
O estado do Paraná, por exemplo, tem se destacado na implementação de soluções digitais nas escolas públicas, utilizando plataformas educacionais que permitem a análise de desempenho, ambientes virtuais de aprendizagem e sistemas de apoio pedagógico. Isso possibilita um acompanhamento individualizado e uma gestão fundamentada em dados. A experiência paranaense ressalta um ponto essencial: a inovação deve ser acompanhada de uma formação docente adequada e de uma governança responsável.
Diretrizes Claras para o Uso da Inteligência Artificial
A aplicação da inteligência artificial na educação demanda diretrizes claras sobre temas como proteção de dados, transparência algorítmica e ética. Os trabalhos da comissão especial, nesse contexto, visam à criação de um marco regulatório que não apenas estimule a inovação, mas também assegure a segurança jurídica e proteja tanto estudantes quanto educadores.
É fundamental garantir que os dados educacionais sejam utilizados unicamente para fins pedagógicos, transformando a tecnologia em um instrumento de empoderamento, e não de vigilância. A revolução tecnológica já teve início, e os países que se destacarem na integração responsável da IA na educação estarão mais bem preparados para formar cidadãos críticos, criativos e capazes de enfrentar os desafios do século XXI.
A inteligência artificial transcende o papel de uma mera ferramenta tecnológica; representa uma oportunidade histórica para reduzir desigualdades, elevar a qualidade do ensino e preparar o Brasil para um novo ciclo de desenvolvimento. Investir em inteligência artificial na educação é, portanto, investir no futuro do nosso país.
*Luísa Canziani é deputada federal pelo PSD-PR, membro da Comissão de Educação e presidente da Comissão Especial sobre Inteligência Artificial (PL 2338/23) da Câmara dos Deputados.*

