Recorde na movimentação do setor turístico
O setor de turismo no Brasil está prestes a registrar um salto significativo, com previsão de movimentar impressionantes R$ 218,77 bilhões durante a alta temporada, que abrange os meses de novembro a fevereiro. Este é o maior nível desde 2013, com base em dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em comparação ao mesmo período do ano anterior, a expectativa é de um crescimento de 3,7%.
Esse avanço é impulsionado pelo número recorde de turistas que visitaram o Brasil, que pela primeira vez ultrapassou 9,2 milhões em 2025. O estudo também aponta que os segmentos que mais contribuirão para esse faturamento são os de bares e restaurantes, com uma previsão de R$ 97,3 bilhões, seguido pelo transporte rodoviário, estimado em R$ 34,1 bilhões. O transporte aéreo e o setor de alojamento também apresentam cifras relevantes, com R$ 28,8 bilhões e R$ 22,4 bilhões, respectivamente.
Fatores que contribuem para o crescimento do turismo
Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), atribui os resultados positivos esperados para a alta temporada a uma combinação de fatores. Entre eles, destacam-se o pleno emprego no país, que aumenta a renda disponível, o clima favorável, que incentiva as viagens para destinos litorâneos, e a estabilização nos preços.
Sampaio ressalta a mudança no comportamento do consumidor: “Neste ano, observamos que os turistas estão se planejando com antecedência, adquirindo pacotes e se organizando para aproveitar ao máximo a alta temporada. Ao analisarmos a série histórica, podemos afirmar que teremos a melhor alta temporada desde o início das pesquisas.” Ele ainda enfatiza que esse aquecimento no setor também reflete a criação de empregos, uma vez que o turismo é uma área onde os postos de trabalho são mais difíceis de serem substituídos por tecnologia.
Criando oportunidades e emprego
De acordo com a CNC, a expectativa é de que sejam gerados 87,6 mil novos postos de trabalho durante o aumento sazonal da demanda turística, o que representa o maior número desde 2014. Naquele ano, o Brasil, ao sediar a Copa do Mundo, criou 88,4 mil empregos. O segmento de alimentação deverá ser o principal responsável por essa criação, com mais de 70% das novas vagas (cerca de 61,47 mil), seguido por transportes (12,25 mil) e hospedagem (10,02 mil). O salário médio de admissão deve registrar um aumento, alcançando R$ 1.912, o que representa uma alta de 5,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Preços favoráveis impulsionam receitas
O estudo revela que os preços dos serviços têm apresentado uma dinâmica favorável à ampliação das receitas turísticas. Dados do IPCA indicam que, nos dez meses encerrados em outubro de 2025, os preços dos serviços de transporte e o índice geral da inflação registraram desaceleração, com quedas nas passagens de ônibus interestaduais (-1,8%) e passagens aéreas (-14,4%).
A CNC também destaca que, nos nove primeiros meses de 2025, o total de passageiros transportados alcançou 96,2 milhões, superando o recorde de 88,6 milhões registrado no mesmo período de 2015, representando um crescimento de 9,8% em relação a 2024. Nos voos internacionais, o número de passageiros que passaram pelos aeroportos brasileiros subiu de 18,8 milhões para 21,8 milhões, e os gastos aumentaram de US$ 5,41 bilhões para US$ 6,04 bilhões. Quanto aos voos domésticos, o total de passageiros também cresceu, passando de 68,8 milhões para 74,5 milhões.

