Legado Cultural da Capital Mundial do Livro
A Prefeitura do Rio de Janeiro realizou, na última terça-feira (14/04), a cerimônia que marcou o encerramento das atividades desenvolvidas durante o ano em que a cidade foi reconhecida como Capital Mundial do Livro. O título, concedido pela Unesco, ressaltou a relevância do Rio na formulação de políticas públicas que fomentam a leitura e sua importância no cenário literário global.
O prefeito Eduardo Cavaliere enfatizou que o título de Capital Mundial do Livro não foi tratado como um prêmio, mas sim como um motor para o desenvolvimento de políticas públicas. “Ao longo deste ciclo, fortalecemos a rede de bibliotecas, ampliamos o apoio a projetos de promoção da leitura e descentralizamos ações, levando programação para diferentes áreas. Isso se reflete no apoio a bibliotecas comunitárias, feiras, festivais, autores e editoras, além de novas formas de mediação literária. Tudo isso aponta para uma direção comum: a institucionalização da leitura como uma política de longo prazo”, destacou.
A cerimônia contou com a presença do secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, além de Paulo Guayasamim, coordenador do projeto de Capitais Mundiais do Livro da Unesco em Paris, e Isabel de Paula, coordenadora de Cultura da Unesco.
Na ocasião, Padilha afirmou que a Capital Mundial do Livro do Rio de Janeiro não é um encerramento, mas um início, uma continuidade que se manifesta onde houver um leitor e na literatura que busca construir uma cidade que valoriza seu patrimônio cultural.
A grande homenageada do evento foi Ana Maria Gonçalves, a primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras, reconhecendo sua contribuição à literatura brasileira.
Durante o evento, foi apresentado o relatório final das atividades dos últimos 12 meses. Além disso, cinco escritores que participaram do programa Rio de Escritores representaram os 70 autores reconhecidos pela iniciativa, que foi integrada à Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), promovida em parceria com o Governo Federal e o Ministério da Cultura.
Impacto Global e Legados para o Futuro
Isabel de Paula, coordenadora de Cultura da Unesco, destacou que, ao se tornar a primeira capital mundial do livro de língua portuguesa, o Rio de Janeiro se insere em um movimento global que reconhece a literatura como ferramenta de inclusão e desenvolvimento humano. “Ao longo de mais de vinte anos, as capitais mundiais do livro têm fortalecido políticas de leitura, ampliando o acesso à literatura em áreas vulneráveis, impulsionando a economia criativa e criando redes internacionais de cooperação. O Rio, após esse ciclo, passa a integrar essa rede de cidades comprometidas com a cultura escrita”, disse.
Como um dos legados desse período, membros da sociedade civil apresentaram um Plano Municipal de Leitura, que inclui sugestões de políticas públicas e iniciativas para expandir ainda mais a leitura na cidade. Durante a cerimônia, também foi inaugurada a Livraria Janela, a primeira a ser instalada em um equipamento cultural do Rio.
Biblioteca dos Saberes: O Futuro da Cultura no Rio
A Biblioteca dos Saberes, um dos principais legados da Capital Mundial do Livro, também teve novos detalhes revelados durante o evento. Projetada pelo arquiteto Francis Kéré, vencedor do Prêmio Pritzker, a biblioteca ocupará mais de 40 mil metros quadrados e se tornará uma referência cultural essencial para a cidade nas próximas décadas.
Segundo Cavaliere, a Biblioteca dos Saberes não será apenas uma biblioteca convencional, mas um símbolo da cidade que se deseja construir: “Ela reconhecerá que o conhecimento tem múltiplas formas, que a leitura não está restrita a um suporte físico, e que a inteligência de um povo se manifesta na oralidade, na memória, na experiência e nas heranças culturais que se transmitem por gerações”.

