Projeto educativo integra matemática e finanças pessoais
Uma escola em Nova Iguaçu implementou uma iniciativa inovadora para ensinar economia e consumo responsável aos seus estudantes por meio de uma moeda própria, batizada de “Bufunfa Negros” (BN). A idealizadora do projeto é a professora de matemática Priscila Negros, que percebeu a necessidade de aproximar o ensino financeiro da realidade dos alunos. Para isso, trouxe para a sala de aula uma dinâmica que conecta o aprendizado à vivência cotidiana dos jovens.
“Observamos como os alunos lidavam com dinheiro e trouxemos essa realidade para o ambiente escolar, criando nossa própria moeda. O símbolo Sankofa, que representa a ancestralidade e a importância de entender nossas origens para planejar o futuro, foi escolhido para representar a Bufunfa Negros”, explica Priscila.
Regras e funcionamento da moeda escolar
Logo no começo do ano letivo, cada estudante recebe 30 BN. Esses valores podem aumentar ou diminuir conforme o comportamento e desempenho em sala de aula. A participação ativa em tarefas, trabalhos, o respeito aos colegas e profissionais da escola, a frequência regular e as boas notas são recompensadas com mais BN. Por outro lado, faltas injustificadas, saída da sala sem autorização e atitudes que prejudicam a convivência escolar resultam na perda dessa moeda.
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Os BN acumulados podem ser trocados no mercadinho da escola, que oferece materiais escolares, jogos, experiências e objetos tecnológicos. Outra alternativa é o investimento: quem guarda suas moedas recebe o dobro do saldo ao final do bimestre, podendo usar o valor para compras futuras ou continuar investindo.
Impacto na aprendizagem e no comportamento
Para a secretária municipal de Educação, Virgínia Rocha, a iniciativa demonstra como conteúdos curriculares podem se transformar em experiências significativas para os alunos. “Esse tipo de projeto desenvolve autonomia, responsabilidade e a capacidade de tomar decisões, competências essenciais para a vida”, destaca.
Os resultados já são visíveis na turma. A professora Priscila relata uma melhora considerável no comportamento dos estudantes, muitos dos quais enfrentavam desafios antes da implantação do projeto. Além disso, o conhecimento adquirido tem sido compartilhado com as famílias, ampliando o alcance da educação financeira.
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Maria Luiza Rios, estudante de 13 anos, exemplifica essa transformação. Ela optou por não gastar as moedas acumuladas no mercadinho e prefere investir para receber o rendimento previsto. “No mercadinho BN, escolhi não comprar nada e investir no banco. No final do bimestre, ganho o dobro do que juntei e posso comprar mais ou continuar investindo”, conta.

