Contrato de aluguel e reforma de adega em Petrópolis
O ex-governador Cláudio Castro (PL) encerrou o contrato de aluguel de uma casa em Petrópolis no início deste ano, poucos dias após solicitar orçamento para reforma da adega do imóvel no valor de R$ 245 mil. A casa, situada na região Serrana do Rio, tinha aluguel mensal de R$ 3,5 mil. No documento de distrato, Castro alegou que não poderia continuar no imóvel devido a reajustes aplicados no valor do aluguel. Essa mudança ocorreu logo após a cassação do ex-governador pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o condenou por abuso de poder político e econômico em março.
Uso do imóvel e apuração da Polícia Federal
A investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Sem Refino apontou que Castro exercia a posse de fato da residência, que pertencia formalmente a um empresário. A Procuradoria-Geral da República (PGR) concluiu que o ex-governador tinha controle efetivo sobre o imóvel. A PF apura se Castro recebeu benefícios da empresa Refit, por meio de terceiros, em troca de favorecimento a interesses do empresário Ricardo Magro durante sua gestão estadual. A suspeita é de lavagem de dinheiro, com o uso de terceiros para custear despesas incompatíveis com os rendimentos declarados de Castro.
Mensagens e depoimentos sobre a reforma da adega
Mensagens obtidas pela PF mostram que Castro se referia à reforma da adega como “minha obra”. O profissional responsável pelo projeto confirmou que estava desenvolvendo o trabalho para o ex-governador. Em nota, a defesa de Castro afirmou que o imóvel era alugado e negou qualquer envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro ou favorecimento a terceiros.
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Fonte: soupetrolina.com.br
Nos diálogos, no dia 4 de março, Castro questiona o andamento da reforma e autoriza a continuação dos trabalhos. O imóvel, registrado em nome da empresa Concrecasa Construções, estava alugado para Castro desde outubro de 2023. A Concrecasa é ligada ao empresário Luiz Fernando Gomes, que firmou contratos de R$ 355 milhões com o governo estadual na gestão Castro, conforme reportagens anteriores.
Proposta da obra e rescisão do contrato
Em 7 de março, Castro recebeu o projeto preliminar da nova adega, enviado pelo sommelier Dionísio Chaves, responsável pelo planejamento da obra. O então governador elogiou o projeto, denominado “Adega Cláudio Castro”. No dia 31 do mesmo mês, Dionísio enviou a proposta final, inicialmente orçada em R$ 490 mil, mas ofereceu um desconto para realizar o serviço por R$ 245 mil, justificando que parte dos trabalhos civis já estava sendo executada por outra equipe contratada por Castro.
Um dia depois, em 1º de abril, Castro assinou a rescisão amigável do contrato de locação, alegando reajustes no valor do aluguel como motivo para deixar o imóvel. Na semana anterior, ele havia renunciado ao governo para se candidatar ao Senado, mas foi condenado pelo TSE e tornou-se inelegível por oito anos. Mesmo alegando dificuldades com o aluguel na casa de Petrópolis, no mês seguinte Castro firmou contrato para alugar uma cobertura na Barra da Tijuca por R$ 10 mil mensais.
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Fonte: aquiribeirao.com.br
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Fonte: curitibainforma.com.br
Investigações e evidências na residência
O sommelier Dionísio declarou à PF que o projeto para a adega não foi concluído por falta de pagamento, após a saída de Castro do imóvel. Apesar disso, agentes da PF encontraram a casa vazia, mas ainda com sinais da presença do ex-governador. Durante buscas na residência, os investigadores localizaram uma embalagem de presente endereçada a Analine, ex-primeira-dama do governo estadual, além de uma conta ativa na plataforma de streaming Netflix vinculada a nomes da família Castro.
A PGR ressaltou que, embora o imóvel não estivesse registrado em nome de Castro, ele exercia poderes semelhantes aos de dono, gerenciando reformas, rotinas e sendo reconhecido como proprietário por terceiros. A defesa do ex-governador reafirmou que não houve qualquer ato ilícito e negou ligação entre o imóvel e a empresa Refit, destacando que o contrato de aluguel foi encerrado e que as situações são distintas.

