Aliados Buscam Conquistar o Voto Religioso
No cenário político atual, as estratégias de Lula e Flávio Bolsonaro se diferenciam no que diz respeito ao diálogo com eleitores religiosos. Enquanto os apoiadores de Lula se concentram em pautas trabalhistas e sociais para diminuir a resistência entre os evangélicos, os aliados de Flávio estão empenhados em aumentar a influência do senador junto aos católicos.
Recentemente, uma pesquisa da Quaest revelou que Lula lidera entre os católicos, com 43% das intenções de voto em um dos cenários de primeiro turno, em contraste com os 28% do senador. A situação se inverte quando analisamos o eleitorado evangélico, onde Flávio conta com 43% das intenções, enquanto Lula obtém apenas 23%.
Este último fim de semana, Flávio Bolsonaro fez uma aparição em um culto no Rio de Janeiro ao lado do ex-governador Cláudio Castro (PL) e do pré-candidato ao governo estadual Douglas Ruas (PL). O evento, conduzido pelo pastor Silas Malafaia, uma das principais figuras evangélicas vinculadas ao bolsonarismo, teve como objetivo fortalecer alianças com líderes religiosos.
Leia também: Desempenho Decrescente de Lula no Nordeste Alerta o PT sobre Desafios Futuros
Leia também: Lula Inicia Visita Oficial à Alemanha e Fortalece Relações Bilaterais
De acordo com membros da equipe de pré-campanha de Flávio, essa agenda foi planejada para consolidar sua imagem entre os evangélicos do Rio e alavancar a visibilidade de Douglas Ruas. A participação de Flávio em eventos religiosos deve se manter, especialmente após seu recente batismo, um fator que pode reforçar sua conexão com o público evangélico.
No entanto, aliados de Flávio reconhecem que um dos principais obstáculos é a construção de uma maior presença entre os católicos. Para isso, estão discutindo a criação de agendas direcionadas a esse eleitorado, buscando aproximar o senador ainda mais desse grupo.
Definindo a Chapa e Conectando-se com Católicos
Leia também: Desempenho de Lula no Nordeste apresenta desafios e divisões no PT
Leia também: Polícia Federal Prende Homem com 45kg de Cocaína e Celulares no RJ
Uma possível estratégia em análise é a seleção da deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) como vice na chapa presidencial de Flávio. A parlamentar possui uma relação próxima com o Frei Gilson, figura reconhecida entre os católicos, além de laços com bispos do Nordeste. Essa conexão poderia facilitar a aproximação do senador com o eleitorado católico, algo que sua equipe considera crucial.
Por outro lado, do lado do governo, aliados de Lula indicam que o presidente tem hesitado em fazer aproximações mais evidentes ao eleitorado evangélico. A ideia predominante entre os assessores de Lula é que o diálogo com este público deva ser mediado por pautas que impactam diretamente a vida cotidiana, como a regulamentação do trabalho por aplicativos e propostas trabalhistas.
Uma das propostas em discussão é o fim da escala 6×1, com a intenção de liberar mais tempo para que os trabalhadores possam dedicar às suas atividades religiosas e à convivência familiar. Guilherme Boulos, ministro da Secretaria Geral, mencionou essa mudança como uma maneira de promover um maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, o que, segundo ele, poderia ressoar positivamente com os eleitores religiosos.
Ademais, a estratégia do governo incluía a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). A intenção era aumentar a identificação do governo com segmentos evangélicos, mas Messias acabou sendo rejeitado pelo Senado. Isso levou a equipe de Lula a reconhecer que o discurso precisará ser ajustado para melhor atingir esse público.
Nos últimos meses, Lula também buscou contato direto com lideranças evangélicas, promovendo encontros com pastores no Palácio do Planalto, ao lado de Jorge Messias e do deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ). Contudo, em recente conversa, Otoni de Paula declarou que decidiu se afastar de seu papel de interlocutor entre o governo e os grupos religiosos. O deputado revelou que muitos dos líderes religiosos com os quais dialogava continuam resistentes a pautas vinculadas à esquerda, levando-o a apoiar a pré-candidatura presidencial de Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás.

