A Iminência do Julgamento e Seus Efeitos
No próximo dia 6 de maio, o Supremo Tribunal Federal (STF) dará continuidade ao julgamento sobre a distribuição dos royalties do petróleo, uma questão que envolve diretamente a economia fluminense. Este debate remonta a uma decisão liminar de 2013 da ministra Carmem Lúcia, que coloca em xeque a constitucionalidade da lei nº 12.734/2012, a qual atualmente favorece estados e municípios produtores no que diz respeito à destinação desses recursos.
Os royalties são pagamentos mensais feitos pelas empresas operadoras, como a Petrobras, baseados no volume de petróleo e gás que extraem. De acordo com dados recentes, os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo foram responsáveis por uma impressionante fatia de 93,3% dos royalties estaduais em 2025, totalizando R$ 62,2 bilhões. No entanto, se o STF decidir pela derrubada da liminar de 2013, a distribuição mudará radicalmente, permitindo que estados e municípios que não produzem petróleo recebam 49% dos royalties.
Consequências para a Arrecadação Fluminense
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A provável alteração nas leis pode resultar em um impacto severo na arrecadação dos estados produtores, com o Rio de Janeiro sendo o mais afetado. Atualmente, o estado detém 85% das reservas de petróleo e é responsável por aproximadamente 83% da produção nacional. Os royalties do petróleo representam uma parcela significativa das receitas fluminenses, respondendo por cerca de 25% a 30% do total, sendo a segunda maior fonte de arrecadação do estado.
Se a liminar for suspensa, a perda estimada na arrecadação será de R$ 8 bilhões para o estado e R$ 13 bilhões para os municípios já no ano de 2026. Este cenário preocupa as entidades empresariais locais, como a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que juntamente com a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio RJ), se manifestaram contra a proposta de redistribuição dos royalties.
Repercussões Econômicas e Sociais
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Os recursos provenientes dos royalties, conforme estipulado pela Lei dos Royalties (12.858/2013), devem ser aplicados prioritariamente em educação pública, especialmente na educação básica (75%), e 25% em saúde. Além disso, o Fundo do Pré-Sal é destinado à educação, saúde, habitação popular, calamidades públicas e segurança alimentar.
Desafios na Fiscalização e Transparência
Embora os royalties sejam destinados a finalidades específicas, como o pagamento de pessoal é proibido, um estudo da Firjan alerta para o risco de que a perda de receita nos municípios fluminenses comprometa serviços essenciais. Isso inclui, por exemplo, o abastecimento de água para mais de 95 mil pessoas, 80% do custeio da Polícia Civil e 70% da folha de pagamento dos aposentados e pensionistas.
A fiscalização da aplicação dos recursos dos royalties cabe ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, enquanto o Ministério Público do estado desempenha o papel de emitir recomendações e processar administradores que utilizam os recursos de forma irregular. No entanto, a transparência sobre a aplicação desses recursos é uma questão problemática. O acesso à informação sobre como os royalties são utilizados no estado e nas cidades é limitado.
De acordo com o Portal da Transparência do estado, dos R$ 26,3 bilhões arrecadados em 2025, as maiores parcelas foram direcionadas ao Rio Previdência, com R$ 17,8 bilhões, ao pagamento da dívida do estado com a União (R$ 4 bilhões) e à transferência aos municípios (R$ 1,7 bilhão). Contudo, dados específicos sobre a aplicação dos royalties em saúde e educação são escassos, o que dificulta ainda mais o acompanhamento por parte da população.
Essas questões ressaltam a necessidade urgente de uma discussão mais profunda sobre a gestão e a destinação dos recursos dos royalties do petróleo, crucial para o futuro econômico do Rio de Janeiro.

