Reuniões Cruciais em Brasília
O governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, esteve em Brasília nesta quarta-feira, 29, para discutir questões relativas aos royalties do petróleo. Às 15h, o governador se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seguindo com uma reunião agendada às 16h com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux.
Esses encontros são particularmente relevantes, tendo em vista o iminente julgamento sobre a redistribuição dos royalties do petróleo, que está marcado para ocorrer em 6 de maio. Tal decisão poderá ter um reflexo significativo nas finanças do Estado fluminense.
Contexto Político
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Ricardo Couto assumiu o governo após a renúncia e cassação do mandato de Cláudio Castro, sendo eleito como o novo líder do Estado devido à ausência de um vice-governador e da liderança da Alerj. O desafio à frente é grande, especialmente com as complexas questões financeiras ligadas ao petróleo.
Segundo a agenda oficial do ministro Fux, a audiência contou com a presença do procurador-geral do Estado, Bruno Dubeux, da procuradora-chefe da PGE-RJ em Brasília, Daniela Allam Giacomet, e do procurador do Estado, Carlos da Costa e Silva Filho. O tema principal discutido foi a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4917, que aborda a validade da Lei 12.734/2012.
Impacto da Lei 12.734/2012
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A ADI 4917 é considerada uma das mais sensíveis do STF, pois versa sobre a lei que modificou os critérios de divisão dos royalties e das participações especiais da exploração de petróleo e gás. A norma em questão visa aumentar a proporção de recursos destinados a Estados e municípios que não são produtores de petróleo.
Desde 2013, a aplicação dessa norma está suspensa devido a uma decisão liminar da relatora, ministra Cármen Lúcia, que acolheu contestações de Estados produtores. Esses Estados alegam que a redistribuição violaria o pacto federativo e acarretaria perdas bilionárias na arrecadação.
Perspectivas para o Julgamento
No dia anterior ao julgamento, 5 de maio, o STF realizará uma audiência de conciliação com o intuito de negociar soluções entre Estados e municípios. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) e 19 Estados estão mobilizados na criação de uma proposta que visa preservar, total ou parcialmente, a redistribuição definida pela lei de 2012, focando especialmente nos interesses de entes não produtores.
Por outro lado, os Estados produtores, incluindo Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, se opõem à proposta, temendo que as alterações prejudiquem suas finanças. A preocupação central gira em torno do impacto fiscal que uma nova redistribuição pode causar.

