Reestruturação na Administração Pública
O governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, tomou uma medida drástica na última sexta-feira (17), ao exonerar quase 100 pessoas de sua equipe. Essa ação foi oficializada através de uma publicação no Diário Oficial, onde os nomes demitidos estavam majoritariamente vinculados à Secretaria de Governo. Esta pasta, aliás, é o foco de um intenso “pente-fino” que Couto anunciou para revisar contratos, serviços e folhas salariais do Palácio Guanabara.
Essas exonerações foram realizadas com o respaldo do novo secretário da Casa Civil, Flávio de Araújo Willeman. Willeman, que também é procurador-geral do Estado e vice-presidente do Flamengo, foi escolhido para a função na última terça-feira (14) com o objetivo claro de reduzir a burocracia e o “inchaço” da máquina pública fluminense.
A Secretaria de Governo já havia passado por uma mudança significativa, com a nomeação do delegado Roberto Lisandro Leão como secretário interino em 6 de abril, substituindo Jair Bittencourt. Desde então, Couto tem promovido uma série de exonerações: só na última semana, foram mais de 450 cargos comissionados extintos nas secretarias de Governo e Casa Civil. Essas decisões resultam de uma auditoria nas duas áreas, que são vistas como essenciais para o funcionamento do governo estadual.
Extinção de Subsecretarias e Suspensão de Contratações
No mesmo Diário Oficial, o governo fluminense anunciou a extinção de três subsecretarias dentro da estrutura da Casa Civil, sendo elas:
- Subsecretaria Adjunta de Projetos Especiais
- Subsecretaria de Gastronomia
- Subsecretaria de Ações Comunitárias e Empreendedorismo
Essas subsecretarias, que foram criadas ou reformuladas entre 2024 e 2025, estão sendo eliminadas com o propósito de reestruturar a organização do Palácio Guanabara.
Além disso, Couto determinou a suspensão de todos os processos de contratações e licitações em andamento nas Secretarias de Estado de Infraestrutura e Obras Públicas, nas Cidades e no Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) por um período de 30 dias. Essa decisão visa a racionalização das despesas públicas e a adequação da execução orçamentária à realidade financeira do estado.
Medidas de Reorganização no Palácio Guanabara
Com a autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para atuar com plenos poderes, Ricardo Couto lançou um abrangente “pente-fino” em sua administração e começou a implementar mudanças em pastas chave do governo fluminense. No dia 13 de fevereiro, ele decidiu exonerar Rodrigo Abel, que ocupava o cargo de secretário-chefe de Gabinete e era um dos mais próximos aliados do ex-governador Cláudio Castro (PL).
Rodrigo Abel, além de liderar uma pasta crucial, desempenhava um papel importante como articulador político, especialmente na relação com os deputados da Alerj. Couto também tomou a decisão de exonerar Nicholas Ribeiro da Costa Cardoso, presidente interino do Rioprevidência, a partir de uma recomendação do Ministério Público do Rio de Janeiro, que sugeriu seu afastamento imediato devido a investigações sobre investimentos arriscados feitos pelo órgão no Banco Master.
Outro nome que deixou o governo foi o presidente da Cedae, Agnaldo Ballon, que também fazia parte da base de apoio de Castro. Em fevereiro, o Tribunal de Contas do Estado já havia iniciado uma investigação sobre a aplicação de R$ 200 milhões feitos pela companhia no Banco Master, o que gera ainda mais preocupações sobre a gestão pública no estado.
Além das exonerações, Couto publicou um novo ato normativo que requer que os órgãos governamentais apresentem informações sobre contratos ativos, prazos, serviços prestados e valores envolvidos. Ele também pediu um detalhamento sobre o número de servidores e os quadros extras em todas as secretarias, autarquias e empresas estaduais, estabelecendo um prazo de 15 dias para a entrega dessas informações.

