Críticas ao Programa de Segurança do Estado
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), aproveitou a visita do chefe da polícia de Nova York, Michael LiPetri, nesta quinta-feira, para criticar abertamente o projeto Segurança Presente, que está sob a gestão do governador Cláudio Castro (PL). Em um evento que remeteu a uma pré-campanha eleitoral, Paes não hesitou em destacar suas desavenças com as atuais diretrizes de segurança pública do estado, mesmo sem mencionar nominalmente o secretário de governo, André Moura.
Ao relembrar suas contribuições a iniciativas de segurança anteriores, Paes afirmou: “Na realidade, quem criou o Segurança Presente fui eu, ao lançar o Lapa Presente em 2014 e o Centro Presente em 2016. Porém, era muito diferente do que vemos atualmente.” O prefeito enfatizou que, enquanto seu modelo previa o comando dos programas pelos líderes dos batalhões locais, a gestão atual se caracteriza por uma centralização nas mãos do secretário estadual de Governo, oriundo de Sergipe, que nomeia coordenadores a partir de indicações políticas.
Visita do Chefe de Polícia e Iniciativas Locais
Durante a visita, LiPetri teve a oportunidade de conhecer as instalações do Civitas, um programa de videomonitoramento voltado para a segurança pública, além da sala de reuniões (Compestat), que se encarregará do planejamento das ações da Força Municipal, um grupo de elite da Guarda Municipal. Em março, essa força começará a atuar armada, focando na prevenção de pequenos delitos na cidade.
Conforme reportou O GLOBO, a relação entre Paes e Castro passou por um período de “não agressão”, mas recentes críticas do prefeito sinalizam uma nova fase de confronto. Na semana passada, Paes já havia reavivado os ataques à política de segurança do governo, os quais haviam diminuído após uma megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, considerada uma das mais letais da história do Brasil e que contribuiu para a recuperação da popularidade de Castro em outubro de 2025.
“As pessoas começaram a confundir política com associação para outros fins”, comentou Paes, no evento que selou o apoio do MDB em sua campanha para as eleições. “Essas forças também estarão unidas. Como lhes falta política, mas outros motivos os unem, eles buscarão manter o poder.”
Desdobramentos Políticos e Alianças
Após o evento, o prefeito foi enfático ao afirmar que o “governo atual” apresenta “cumplicidade com o crime e a tomada de territórios”. O cenário político no Rio se complica com a recente definição da chapa da direita para as eleições estaduais, que foi anunciada na terça-feira com a presença do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). Essa nova configuração política é vista como um fator que pode finalizar a trégua entre Paes e Castro.
As conversas que cercavam a eleição do secretário estadual de Casa Civil, Nicola Miccione, para um eventual mandato indireto, perderam força. Embora os responsáveis pela formação da chapa não tenham comentado especificamente sobre a disputa indireta, a perspectiva é que Douglas Ruas (PL) se torne o candidato para o mandato-tampão, o que lhe daria maior visibilidade e poder antes da corrida contra Paes.
Nos últimos dias, o pré-candidato expressou a interlocutores que não se sente “preso” à necessidade de assumir o governo de forma indireta antes da campanha, mas sublinhou a importância de eleger alguém “da política” para o mandato-tampão. Com a nova configuração, quem assumir o cargo não poderá concorrer novamente em outubro, o que afasta outros deputados que teriam que abrir mão de seus mandatos a partir do próximo ano.

