Exposição “Ohpeko Dihtara_Travessias da Guanabara” estreia no MAC Niterói
O Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC Niterói) recebe a partir do sábado, 13 de maio, a exposição “Ohpeko Dihtara_Travessias da Guanabara”, que reúne 35 obras de oito artistas indígenas de sete povos distintos, vindos de quatro regiões do Brasil. A mostra, aberta ao público das 10h às 18h, com entrada permitida até 17h30, é resultado de uma parceria entre o Ministério da Cultura, a Prefeitura de Niterói, a Secretaria Municipal das Culturas e a Petrobras.
Concebida por Daiara Tukano e com curadoria de Denilson Baniwa e Priscila Danny, a exposição destaca linguagens variadas, como pintura, vídeo arte e produções têxteis, reforçando o papel de Niterói como polo de promoção das culturas indígenas no país. Além dos curadores, participam artistas como Gustavo Caboco, Naine Terena, Kaya Agari, Yaka Huni Kuin, Rita Huni Kuin e Renata Tupinambá (Aratykyra).
Obras inéditas e parcerias que fortalecem a arte indígena
Parte das criações foi desenvolvida especialmente para a mostra, enquanto outras compõem acervos representados por galerias como A Gentil Carioca, Almeida & Dale e Carmo Johnson Projects. O Instituto MECA (Mac Laren Educacional, Cultural e Ambiental) também apoia a exposição, tendo promovido residências artísticas para as artistas Yaka Huni Kuin e Kaya Agari.
“Ohpeko Dihtara_Travessias da Guanabara” integra o projeto Encontro com Arariboia, lançado em março de 2026 com um seminário em Niterói que reuniu participantes de diversas regiões do país, resgatando a origem ancestral do município fundado pelo cacique Arariboia, do povo temiminó. O projeto é uma iniciativa coletiva que articula saberes e histórias indígenas, aproximando passado e presente.
Significado cultural e cosmológico da exposição
O título da exposição, “Ohpeko Dihtara”, significa “o lago de leite” na língua tukano, referência ao berço da criação da humanidade segundo a cosmologia indígena. A Baía de Guanabara é vista como território originário da vida, atravessado por memórias e transformações desde a colonização até os dias atuais.
Os textos da mostra são apresentados em português e também traduzidos para a língua nheengatu, ampliando o diálogo com as tradições indígenas. A exposição propõe uma releitura da história brasileira sob a perspectiva indígena, deslocando a narrativa colonial para um olhar que valoriza a origem, memória e futuro desses povos.
Projeto Encontro com Arariboia promove cultura e ancestralidade
Lançado em 2026, o Encontro com Arariboia articula lideranças indígenas do Rio de Janeiro e de outros estados, promovendo escuta ativa e construção coletiva. A iniciativa destaca a importância da presença indígena na região e revisita a trajetória do cacique Arariboia, figura central na fundação de Niterói.
Daiara Tukano, uma das curadoras, ressalta que a Baía da Guanabara é um território sagrado para os povos indígenas, marcado por imagens fortes que simbolizam tanto o contato colonial quanto a resistência ancestral. Essa narrativa reforça o vínculo profundo entre a cultura indígena e a cidade.
A importância histórica de Arariboia e o papel do MAC Niterói
O nome Niterói significa “águas escondidas” na língua tupi e homenageia o cacique Arariboia, que participou das guerras de colonização da Baía de Guanabara no século XIV. Arariboia foi aliado dos portugueses para expulsar os franceses e fundou a vila de São Lourenço dos Índios, que deu origem à cidade.
O MAC Niterói, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1996, completa 30 anos em 2026. Pela primeira vez, conta com o apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio master da Petrobras e do Itaú Unibanco. O museu é referência nacional, recebendo mais de 2,8 milhões de visitantes e promovendo exposições que dialogam com diversas manifestações artísticas contemporâneas.
Petrobras e o compromisso com a cultura brasileira
Com atuação consolidada na indústria de óleo, gás natural e energia, a Petrobras investe há mais de quatro décadas em projetos culturais pelo Brasil. A parceria com o MAC Niterói reforça o compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável e a valorização das artes, promovendo iniciativas que conectam cultura e sociedade.
Visitação e informações práticas
A exposição “Ohpeko Dihtara_Travessias da Guanabara” pode ser visitada de terça a domingo, das 10h às 18h, com entrada permitida até às 17h30, no MAC Niterói. A classificação é livre, e a mostra oferece ao público uma oportunidade para mergulhar nas narrativas indígenas que atravessam a história e a cultura da Baía de Guanabara, fortalecendo a presença indígena no cenário contemporâneo da arte brasileira.

