Abertura do Museu da Imagem e do Som
Após duas décadas de espera e expectativa, o Museu da Imagem e do Som (MIS), localizado na icônica Avenida Atlântica em Copacabana, reabriu suas portas ao público. A primeira mostra, intitulada “Arquitetura em Cena – o MIS Copa antes da Imagem e do Som”, leva os visitantes a um tour pelos bastidores da construção do novo espaço cultural. A exposição é uma prévia do que o público pode esperar quando o complexo for totalmente finalizado, em um prazo estimado para o primeiro trimestre do próximo ano.
O novo MIS, que ocupa uma área privilegiada na orla de Copacabana, foi concebido a partir de um concurso internacional de arquitetura realizado pela Fundação Roberto Marinho, em colaboração com a Secretaria de Cultura do estado. O projeto, elaborado pelo escritório americano Diller Scofidio + Renfro, destaca-se pela sua integração com a paisagem carioca e o diálogo harmonioso com o famoso calçadão de Burle Marx.
Larissa Graça, gerente de patrimônio e cultura da Fundação Roberto Marinho e uma das curadoras da exposição, comentou sobre a recepção do projeto: “Quem passa por aqui não fica indiferente. Algumas pessoas acham o edifício lindo, enquanto outras sentem um certo estranhamento. Com esta exposição, queremos que o público conheça um pouco da arquitetura do museu, mesmo enquanto as obras ainda estão em andamento”.
Conceito do Projeto e Exposição
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O conceito arquitetônico do MIS foi inspirado na ideia de transformar o calçadão de Copacabana em um “boulevard vertical”. Segundo Larissa, o escritório vencedor reconheceu a importância do espaço para os cariocas. “Eles propuseram uma verticalização da calçada, que se transforma em uma escada, um grande mirante voltado para a praia mais famosa do mundo. É um projeto acessível a todos”, explicou.
A exposição ocupa os andares térreo e mezanino do museu, apresentando um acervo diversificado que inclui maquetes, vídeos, croquis e protótipos que documentam a trajetória da obra. O público poderá acompanhar desde as primeiras ideias arquitetônicas até os desafios enfrentados na construção, como a implantação de um auditório subterrâneo com capacidade para 280 pessoas, situado a cerca de 10 metros de profundidade, próximo ao mar.
Além das etapas de execução, a mostra também retrata os obstáculos enfrentados ao longo do processo. As obras foram divididas em três fases, começando com a demolição do antigo prédio da Boate Help em 2010, seguida pela construção das fundações concluídas em 2014. A terceira fase, que inclui a finalização de instalações e acabamentos, enfrentou atrasos durante a crise fiscal do estado do Rio de Janeiro, mas retomou o ritmo nos últimos anos.
Reflexão sobre a História e Financiamento
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Larissa Graça observa que a história da construção do MIS reflete as difíceis experiências enfrentadas pelo Rio de Janeiro nos últimos anos, incluindo os impactos da pandemia. Ela ressaltou a importância do financiamento, que combina recursos públicos e privados. “Quase metade do investimento necessário é oriundo de parcerias; o governo cobre uma parte, enquanto a Lei Rouanet permite que parceiros privados contribuam também”, explicou.
A secretária estadual de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, considerou a abertura da exposição como um marco importante para a revitalização do espaço cultural. “É uma grande alegria inaugurar uma exposição que narra a história desde o concurso até o momento atual. Celebramos um legado cultural”, afirmou. Ela também destacou que o MIS abrigará um acervo com mais de um milhão de itens, incluindo coleções de figuras icônicas como o fotógrafo Augusto Malta, a cantora Carmen Miranda e o músico Pixinguinha. “É um museu repleto de brasilidade, imagens e legados”, completou.
Experiência do Visitante e Futuro do Museu
O projeto do MIS não se limita a exposições. Ele inclui um restaurante panorâmico, café, loja, áreas educativas, espaços de pesquisa, um cinema ao ar livre no terraço, além de ambientes voltados à música e à fotografia. Entre os primeiros a visitar a exposição, estava a professora de arte Marta Azambuja, de 93 anos, natural do Rio Grande do Sul. Ela expressou sua satisfação: “Eu estava ansiosa pela inauguração e fiquei muito feliz”, disse.
Marta, que reside em Copacabana, elogiou a proposta de um museu tão integrado à paisagem. “Já viajei pelo mundo e nunca vi um espaço tão distinto como esse, que se conecta com a natureza de maneira tão harmoniosa”, comentou.
A nova exposição também antecipa as futuras experiências que o MIS oferecerá, com pavimentos dedicados ao espírito carioca, à música brasileira, à trajetória de Carmen Miranda, à relação do Rio com o mar e à vida noturna da cidade. O subsolo contará com um espaço voltado para as “Noites Cariocas”, além de um terraço que funcionará como mirante e cinema a céu aberto.
Ao refletir sobre seu envolvimento no projeto desde o concurso até a fase atual, Larissa Graça compartilhou uma perspectiva pessoal: “Entregar este museu à população é uma missão de vida. Eu estava grávida quando participei do concurso, e minha filha agora tem 16 anos. A história do MIS está entrelaçada à minha história de maternidade”, finalizou.

