Exonerações no Comando da Saúde do RJ
Em uma manobra significativa, Ricardo Couto, atual governador do Rio de Janeiro, decidiu exonerar a secretária de Saúde, Claudia, e o subsecretário de Comunicação, Igor Marques. As exonerações foram formalmente registradas como ‘a pedido’, mas, na prática, representam o fim de um ciclo de gestão que teve início em 2020, sob o comando do ex-governador Claudio Castro (PL). Castro, que renunciou ao cargo em 23 de março, véspera de seu julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), havia indicado ambos os profissionais para suas funções.
Claudia, que estava no cargo desde a administração de Castro, foi associada a um dos maiores escândalos da saúde pública no Brasil, que envolveu a contaminação de pacientes transplantados por HIV devido a doações de órgãos infectados. O episódio, gerido pela Fundação Saúde, levou a graves consequências e à responsabilização de diversas pessoas envolvidas. Em 2024, a Justiça já havia decretado a prisão preventiva de seis réus relacionados a esse caso, embora todos atualmente respondam em liberdade.
Igor Marques: Da Câmara à CPI
Igor Marques, um veterano assessor de Castro desde 2016, também se destacou na cena política local. Recentemente, prestou depoimento na CPI da Transparência, realizada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde discutiu os gastos com publicidade do governo. Sua exoneração, portanto, encerra um ciclo que teve importância significativa na comunicação do governo estadual.
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Um Novo Rumo na Saúde do Rio
Com a saída de Claudia e Igor, Ronaldo Damião foi escolhido para ocupar a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro. Damião, que é urologista e pró-reitor de Saúde da UERJ, é um nome que promete trazer uma nova abordagem para a gestão da saúde no estado. Sua nomeação quebra uma tradição que, nos últimos anos, tinha o deputado federal Dr. Luizinho (PP) como figura central na indicação de secretários.
Dr. Luizinho, que já exerceu o cargo de secretário de Saúde entre 2016 e 2018, teve influência na escolha dos últimos gestores da pasta, com exceção de Edmar Santos, que comandou a secretaria durante a gestão de Wilson Witzel. A entrada de Ronaldo Damião, portanto, indica uma tentativa de afastar a política de patronagem que permeou a saúde pública nas últimas administrações.
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Ronaldo Damião: Experiência e Contribuições
A nova escolha, aos 75 anos, traz uma vasta experiência na área da saúde, tendo atuado como diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto durante a pandemia de Covid-19 e presidido a Sociedade Brasileira de Urologia. Damião também é reconhecido por sua contribuição à campanha Novembro Azul, que visa aumentar a conscientização sobre a saúde do homem e o câncer de próstata no Brasil.
Essas mudanças refletem um momento de transição e potencial renovação na política de saúde do Rio de Janeiro, que enfrenta desafios complexos e uma necessidade urgente de restabelecer a confiança da população nas instituições de saúde. A expectativa agora recai sobre Damião e sua estratégia para sanar as lacunas deixadas por gestões anteriores e implementar políticas públicas eficazes.

