Movimentações Políticas na Alerj
Às vésperas da eleição para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o PL avalia a possibilidade de manter Guilherme Delaroli como interino. Enquanto isso, o grupo liderado por Eduardo Paes está em busca de alianças e atento a possíveis traições. Douglas Ruas, deputado do PL, é visto como o principal candidato, mas a incerteza jurídica acerca da sucessão do governo estadual torna sua candidatura menos atrativa. O PSD, que apoia Vitor Junior, está pleiteando um voto secreto e tentando expandir sua base, em meio a um cenário político cada vez mais acirrado.
Na quarta-feira, as movimentações para as postulações se intensificaram na Alerj, com a data da eleição se aproximando. O PL, que possui a maior bancada da casa, tem como seu nome forte o deputado Douglas Ruas, pré-candidato ao governo. No entanto, cresce dentro do partido a ideia de manter Guilherme Delaroli na presidência interina, após a saída de Rodrigo Bacellar. Os aliados do ex-prefeito Eduardo Paes, por sua vez, estão apostando em Vitor Junior (PDT) e têm seus olhos abertos para possíveis traições dentro do grupo opositor, na tentativa de contornar um ambiente desfavorável.
Parlamentares ouvidos de forma reservada destacam que o impasse entre os governistas é consequência das incertezas em relação aos desdobramentos jurídicos da eleição. Existe o temor de que o próximo presidente da Alerj não consiga assumir o governo do Rio pela linha sucessória, devido à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que mantém o desembargador Ricardo Couto à frente do Executivo fluminense até que o caso seja finalmente decidido.
Diante desse quadro, a posição se torna menos atraente para Ruas, que não teria acesso à máquina estadual. Na reunião do PL na quarta-feira, a bancada ainda não havia fechado questão sobre o tema, e uma decisão final deve ser anunciada nesta quinta-feira.
Alianças e Negociações
Aliados de Paes também sondaram Delaroli em busca de uma possível costura, sugerindo que não apoiariam um nome de oposição se ele fosse escolhido para continuar na presidência. No entanto, essa estratégia foi prontamente rejeitada por líderes do PL, que descartam qualquer aliança com os adversários.
O movimento dos aliados do ex-prefeito indica uma estratégia de aproximação com parlamentares do grupo de Ruas. Fontes da Assembleia afirmam que o PSD também está em busca do apoio de partidos como PP e Republicanos, que historicamente têm se alinhado mais ao PL.
Após a janela partidária, o PL conta agora com 23 deputados. Quando somados aos integrantes da União Brasil e do PP, que já declararam apoio a Ruas nas eleições de outubro, a aliança supera os 36 votos necessários para eleger um novo presidente da Alerj. Dessa forma, se a votação for aberta, líderes acreditam na vitória do deputado do PL.
Entretanto, o PDT protocolou um pedido à Justiça para que a votação seja realizada de forma secreta. A ação foi assinada por Vitor Junior e pela deputada Martha Rocha, e será analisada pela desembargadora Suely Lopes Magalhães, vice do presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, que atualmente ocupa o cargo de governador em exercício.
Reviravoltas no Cenário
Na semana anterior, o PSD havia se manifestado contra o voto secreto na Alerj em um contexto de eleição indireta para o governo estadual. Na ocasião, o entendimento interno era de que Paes não teria a maioria, mesmo com a votação secreta. Porém, nos últimos dias, aliados do ex-prefeito intensificaram as articulações para expandir sua aliança, que agora conta com 22 votos garantidos na Casa, renovando a busca por traições dentro do grupo rival.
Apesar disso, assessores de Ruas acreditam que um voto secreto também poderia beneficiá-lo, ajudando a conquistar apoios até mesmo no partido de Paes. Na eleição anterior à presidência da Alerj, ocorrida em março e posteriormente anulada pela Justiça, parte dos parlamentares do PSD votou em Ruas.
“Paes tem feito diversas manobras para contornar a Assembleia, o que acaba unindo os deputados contra essa situação”, analisa Altineu Côrtes, presidente estadual do PL.
No momento, outros nomes como Rosenberg Reis (MDB) e Renata Souza (PSOL) também aparecem como potenciais candidatos ao cargo de presidente da Alerj. O objetivo do grupo de Paes é desmobilizar a candidatura da deputada do PSOL, captando os cinco votos de sua legenda, enquanto buscam também se articular com partidos menores, como Solidariedade e Avante, que anteriormente formaram um bloco de cinco deputados no início do ano.

