Paródias que Cruzam Fronteiras
A cena que se tornou um verdadeiro fenômeno nas redes sociais apresenta um momento inusitado: uma porta se abre, alguém se aproxima de uma cadeira de praia em uma laje e, ao som contagiante de “Baianá”, um drone se afasta, revelando a paisagem ao redor. Depois de conquistar corações na Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, essa ideia simples ganhou novas versões em várias partes do Brasil e até em outros países, sempre com um toque bem-humorado.
Um dos exemplos mais recentes vem de um casarão abandonado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, até um rooftop em Nova York, mostrando que a criatividade não tem fronteiras. O influenciador SlayR, por exemplo, não perdeu a oportunidade de brincar com a situação: “Brasil tem favelas… NYC tem coberturas 🤣😭”, escreveu ele, associando sua própria versão à falta de recursos para viajar ao Brasil. “Não posso pagar uma viagem para o Brasil, então aqui está a versão de Nova York City”, completou.
Influenciadores Também Entram na Onda
A peruana Soledad Parina seguiu a mesma linha ao compartilhar sua versão, ressaltando a realidade local em Ate-Vitarte, um distrito de Lima. “O dinheiro não dá para ir ao Brasil”, afirmou, mostrando que o espírito criativo da trend se espalhou por toda a América Latina. “Meu querido bairro Ate-Vitarte” foi a mensagem que acompanhou seu vídeo.
Da mesma forma, Gianne Freitas utilizou a popularidade do viral para chamar a atenção para sua cidade natal. “Uma cidade com a grandeza e a beleza de Nova Iguaçu não podia ficar de fora”, destacou. Em seu post, Gianne fez um apelo às autoridades para que olhassem com mais carinho para o turismo local, mencionando a Fazenda São Bernardino, que, segundo ela, faz parte da rica história da cidade, mas ainda é pouco valorizada.
Uma Nova Perspectiva do Turismo Carioca
Inspirado pela trend, o influenciador NandoGald também se manifestou. Ele caminhou pelas ruas de Santa Cruz, na Zona Oeste, e fez uma de suas paródias em frente à estação de trem: “Dizem que é bairro… mas pra mim sempre foi meu país: Santa Cruz 🇧🇷🔥”, disse ele, destacando o orgulho de seu bairro.
O poder do formato não se limitou à Rocinha. Francisco Lutielly, por exemplo, gravou seu vídeo no alto da Pedra da Gávea, um dos mirantes mais icônicos do Rio de Janeiro, ressaltando que “Não é a Rocinha, mas o vídeo da cadeira está feito. E por trás desse vídeo, uma grande experiência, desafio e conquista na trilha da pedra da Gávea ⛰️🍃”.
Até mesmo o perfil da Igreja da Penha, um conhecido ponto turístico carioca, entrou na dança com vídeos semelhantes, mostrando como essa tendência tem ajudado a promover o turismo em diferentes áreas do Rio de Janeiro.
A Gênese do Viral
O responsável por essa ideia que se tornou viral na Rocinha é o guia de turismo e piloto de drone Beto Soares, que tem mais de cinco anos de experiência em produzir imagens aéreas. Desde 2018, ele tem registrado a beleza da comunidade e, em 2023, começou a incluir essa gravação em seus roteiros turísticos, oferecendo uma experiência única aos visitantes.
Embora o vídeo não tenha viralizado de imediato, Beto percebeu uma mudança significativa em seu negócio. “Quando comecei a incluir o drone nos meus passeios, percebi um aumento quase imediato no lucro. Hoje, o uso do drone é um serviço à parte, e muitos clientes buscam essa experiência pela singularidade das imagens aéreas”, explicou.
Baianá: A Trilha Sonora do Viral
A música “Baianá”, criada pelo grupo Barbatuques, é um dos elementos que mantém a essência dos vídeos, mesmo com a variação de cenários. Desde seu lançamento em 2005, a canção voltou a ganhar popularidade com a viralização dessa tendência. O percussionista Giba Alves, um dos fundadores do grupo, expressou sua alegria ao ver que a música está sendo associada à identidade brasileira, não só no Brasil, mas em versões gravadas no exterior.
“Desde a primeira versão da trend, ficamos emocionados com a associação que se faz dessa música com o Brasil. É incrível ver que ela toca as pessoas, independentemente do lugar”, disse o músico. Para ele, o Barbatuques sempre buscou inspiração nas manifestações artísticas populares do país, e ver “Baianá” ser reconhecida é motivo de grande orgulho.

