Ajustes Impactantes nos Resultados Financeiros
A Aegea, empresa especializada em saneamento, anunciou na madrugada de sábado (11) uma reapresentação significativa de seus dados financeiros de 2024, resultando em uma baixa contábil de R$ 5 bilhões. A companhia, pressionada por exigências do mercado financeiro, divulgou essas informações 11 dias após o término da temporada de balanços, surpreendendo os analistas por não ter incluído detalhes do quarto trimestre, o que é considerado padrão no setor.
Com acionistas como a Equipav, o fundo soberano de Cingapura (GIC) e a Itaúsa, a Aegea publicou seus resultados à meia-noite em seu site na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em 2025, a empresa reportou um lucro líquido de R$ 856 milhões, apresentando uma queda de 31% se comparado ao ano anterior. Em contrapartida, a receita líquida cresceu 21%, alcançando R$ 18,3 bilhões, e os investimentos (capex) aumentaram 35%, totalizando R$ 7,3 bilhões.
Dívidas em Alta e Alavancagem em Ascensão
A situação da dívida líquida também merece atenção, já que houve um aumento de 37%, elevando-a para R$ 47 bilhões. A alavancagem da Aegea subiu para 4,51 vezes o Ebitda, indicador que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Esses números refletem a base “proforma” do ecossistema Aegea, que considera o desempenho de suas empresas controladas e coligadas, como a Corsan, do Rio Grande do Sul, e a Águas do Rio, responsável pelo abastecimento de água e esgoto na capital fluminense.
A reapresentação dos dados, ainda na madrugada após a divulgação original, traz uma nova perspectiva sobre o patrimônio líquido da companhia, que agora é de R$ 6,3 bilhões, uma redução significativa em relação aos R$ 11,4 bilhões anteriormente informados. A empresa esclareceu que essa alteração não implica em perdas de caixa, mas sim em uma reavaliação dos ativos que possuía, sendo um reflexo da diminuição do valor de seus investimentos e títulos em empresas coligadas.
Motivos para os Ajustes e Reavaliação de Ativos
Os ajustes comunicados pela Aegea abordam questões cruciais, incluindo o reconhecimento da receita relacionada a serviços de água e esgoto, a receita de obras em parcerias público-privadas (PPPs), provisões para perdas de crédito esperadas sobre contas a receber e a capitalização de juros relacionados a outorgas. A companhia também informou que as renegociações com clientes com parcelas atrasadas há mais de 30 dias foram completamente eliminadas dos seus saldos.
Além do impacto sobre o patrimônio, a empresa registrou uma drástica redução no lucro líquido do período, com uma queda de R$ 593 milhões. Outros indicadores, como contas a receber, também apresentaram diminuições significativas, com uma redução de R$ 643 milhões.
Compromisso com a Transparência e o Crescimento
Em nota, a Aegea destacou que a reapresentação dos seus dados financeiros busca aprimorar os critérios contábeis adotados, com o intuito de alinhar melhor os resultados reportados à geração de caixa da companhia. A empresa enfatizou que não há consequências adversas em termos de liquidez, viabilidade de novos projetos ou cumprimento de obrigações financeiras.
Por outro lado, o atraso na divulgação dos balanços e a necessidade de revisão nos dados de 2024 já haviam gerado preocupações nas agências de classificação de risco. A S&P alertou para uma fragilidade nos controles internos da Aegea, que poderia expor a organização a riscos adicionais. A Fitch, por sua vez, interpretou o atraso como um indicativo de declínio na qualidade e na transparência das informações financeiras.
Perspectivas em um Momento Crítico
A nova apresentação dos dados ocorre em um período delicado para a empresa, que planeja realizar uma oferta inicial de ações (IPO) na Bolsa de Valores entre o final deste ano e 2027. Recentemente, a Itaúsa, uma das principais acionistas da Aegea, manifestou a expectativa de que sua avaliação de mercado supere R$ 40 bilhões. Além do IPO, a Aegea está interessada na privatização da Copasa, empresa de saneamento de Minas Gerais, um leilão que pode movimentar em torno de R$ 10 bilhões.
Raio-X da Aegea
Fundação: 2010
Municípios onde opera: 893 em 15 estados
Lucro líquido (2025): R$ 856 milhões

