A Eleição Suplementar no Rio de Janeiro
A recente renúncia de Cláudio Castro (PL-RJ) provocou um turbilhão político no estado do Rio de Janeiro. Ele deixou o cargo um dia antes de ser declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), desencadeando uma série de incertezas sobre a liderança do estado até o fim de 2026. A situação se agrava ainda mais pelo fato de que o cargo de vice-governador já estava vago desde 2025, quando Thiago Pampolha (União) renunciou para assumir uma posição como conselheiro no Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.
Com a falta de um governador e de um vice, a Constituição exige a realização de uma eleição suplementar para preencher esses cargos. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) já aprovou as regras para essa nova votação, mas a polêmica não parou por aí.
Regras da Alerj e Contestação no STF
O PSD, partido do pré-candidato Eduardo Paes, não hesitou em contestar a norma aprovada pela Alerj no Supremo Tribunal Federal (STF). Os ministros da Corte começaram a discutir o caso em um plenário virtual. A mais recente decisão do ministro Cristiano Zanin foi a suspensão da eleição indireta, com a recomendação de que o caso seja analisado presencialmente. A expectativa agora é que o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, defina uma data para esse julgamento.
A controvérsia gira em torno da legalidade do processo de eleição indireta, previsto pela Alerj, que exige que os deputados estaduais votem para escolher um novo governador. Essa escolha foi criticada por diversos ministros do STF, que defendem que a população deveria ter o direito de decidir por meio de um voto direto, especialmente considerando a gravidade da situação.
Por Que o Rio Necessita de uma Eleição Suplementar?
A vacância nos cargos do Executivo no Rio de Janeiro é o principal motivo para a convocação da eleição. A renúncia de Thiago Pampolha e a saída de Cláudio Castro deixaram o estado sem uma liderança clara, e a Constituição é explícita ao determinar que, na ausência dos dois cargos, uma nova eleição deve ocorrer para preencher o mandato até 31 de dezembro de 2026.
As Regras Aprovadas pela Alerj
A Alerj decidiu por um modelo de eleição indireta, permitindo que os deputados estaduais escolham o novo governador. Contudo, isso foi acompanhado de uma série de modificações nas regras. Por exemplo, os candidatos que ocupam cargos executivos teriam um prazo reduzido para se desincompatibilizar: apenas 24 horas antes do pleito, ao invés dos seis meses normalmente exigidos pela legislação eleitoral. Isso gerou ainda mais controvérsias e levou o PSD a questionar a legitimidade desse procedimento no STF.
A Análise dos Ministros do STF
Ministros como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes expressaram a opinião de que a eleição deve ser realizada de forma direta, com a participação dos cidadãos. Isso contrasta com a posição de outros ministros que se limitaram a debater a legalidade das regras da Alerj, sem se manifestar sobre a necessidade de uma eleição direta ou indireta. A decisão mais recente de Zanin, que suspendeu a eleição indireta, impediu qualquer movimento da Alerj até que o caso seja decidido definitivamente pelo STF.
Próximos Passos e Expectativas
Edson Fachin, presidente do STF, já indicou que o julgamento presencial deve ocorrer na segunda semana de abril de 2026, embora a data exata ainda dependa de confirmações. As ações que serão analisadas incluem a validade das regras da Alerj e o pedido do PSD para que a eleição ocorra de forma direta. Enquanto isso, a realização da eleição indireta, que deveria acontecer em até 30 dias após a vacância, permanece suspensa.
Se o STF decidir pela eleição direta, o Tribunal Regional Eleitoral terá que reorganizar todo o calendário eleitoral. Isso pode significar que, em 2026, os eleitores do Rio terão que votar duas vezes: uma para a eleição suplementar e outra para a regular, em outubro.
Quem Comanda o Estado Até a Eleição?
Neste cenário de incertezas, a presidência da Alerj também enfrenta dificuldades. O ex-presidente Rodrigo Bacellar foi cassado e preso, e a eleição de seu sucessor, Douglas Ruas, foi anulada pela justiça estadual. Assim, o estado se encontra em um verdadeiro impasse político, aguardando uma definição que possa trazer estabilidade ao governo fluminense.

