Implicações da Decisão do STF
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) anunciou que irá recorrer da decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que alterou as regras para a eleição indireta de um possível mandato-tampão no governo do estado. Essa mudança ocorreu em resposta a um pedido do PSD, partido que apoia o prefeito do Rio, Eduardo Paes.
Fux decidiu barrar dois pontos cruciais da legislação que havia sido aprovada pela Alerj e sancionada pelo governador Cláudio Castro: a exigência de voto aberto na eleição indireta e o prazo de apenas 24 horas para que candidatos que já ocupam cargos no Executivo se desincompatibilizem. O PL, partido do governador, não tardou a criticar a decisão em nota oficial.
O PL expressou sua preocupação sobre os princípios que regem o exercício do mandato. Segundo a nota, “embora se invoque a proteção da liberdade de escolha dos parlamentares, é crucial lembrar que o mandato eletivo deve obedecer aos princípios republicanos e de publicidade”. O partido argumenta que a atuação dos parlamentares como agentes públicos deve ser transparente, sujeita ao escrutínio da sociedade.
O PL também enfatizou que, em um contexto já excepcional como o da eleição indireta, a abordagem mais adequada, segundo a Constituição, seria a de ampliar a participação popular e assegurar a transparência do processo, reforçando a legitimidade democrática.
Contexto da Eleição Indireta
A escolha de um novo governador por meio de eleição indireta se dará caso o governador Cláudio Castro renuncie até abril, uma vez que o estado do Rio de Janeiro não possui vice-governador. A norma estabelecida determina que os 70 deputados estaduais da Alerj selecionem um novo chefe do Executivo, que assumirá o cargo até o fim de 2026.
O ministro Luiz Fux acatou o argumento do PSD sobre a necessidade de conformidade com a legislação nacional, que estipula a desincompatibilização de ocupantes de cargos públicos seis meses antes da eleição. Assim, candidatos à disputa não podem ser membros de partidos políticos. Além disso, a votação aberta foi rejeitada pelo ministro.
Fux justificou sua posição ao citar a atuação de organizações criminosas e episódios de violência política no Rio, argumentando que, em um ambiente com alta criminalidade, como o atualmente enfrentado pelo estado, o voto secreto se torna uma necessidade. “Essas considerações devem ser levadas em conta, especialmente em um contexto de proliferação de grupos criminosos, como narcotraficantes e milícias que frequentemente penetram na esfera política”, ressaltou.
Alterações no Cenário Político
A decisão de Fux traz incertezas ao cenário político do Rio de Janeiro. O PL já havia formado uma chapa para concorrer ao mandato tampão, com Douglas Ruas, secretário de Cidades, e Nicola Miccione, secretário da Casa Civil, como candidatos. Se a decisão de Fux se mantiver, ambos não poderão concorrer, alterando as expectativas do partido. A oposição, liderada pela esquerda, também se vê obrigada a reavaliar suas estratégias, especialmente com a possível candidatura de André Ceciliano, do PT, que atualmente ocupa o cargo de secretário de Assuntos Federativos no governo federal.
O governador Cláudio Castro está considerando a possibilidade de renunciar ao cargo até segunda-feira (23), caso não receba uma sinalização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre um possível adiamento do julgamento que pode resultar em sua cassação. Enquanto isso, fontes da CBN revelaram que o PL planeja se reunir para discutir suas próximas ações. Dado que os deputados estaduais não precisam de um prazo para se desincompatibilizar e se tornarem candidatos, o nome de Guilherme Delaroli, presidente da Alerj, ganha força como uma opção viável para representar o governador. Há uma crescente preocupação com a manutenção do voto secreto, que, segundo análises, poderia favorecer traições e beneficiar um candidato apoiado pelo prefeito Eduardo Paes.

