A escultura que transforma o cotidiano
O Parque Cultural Casa do Governador, localizado na Praia da Costa, acaba de adicionar à sua coleção permanente a impressionante escultura “Falta” (2025), do aclamado artista carioca José Bechara. Com um peso de 60 toneladas e dimensões que propõem uma experiência tridimensional, a obra combina blocos de mármore bruto com grades geométricas em um vibrante tom de laranja fluorescente. Essa interação entre a matéria natural e o elemento industrial cria um tensionamento visual que certamente cativa os visitantes.
A chegada dessa peça ao Espírito Santo, viabilizada pela Matias Brotas Arte Contemporânea, não só enriquece o acervo do parque como também posiciona o estado no panorama das grandes coleções de arte contemporânea ao ar livre, elevando a visibilidade da arte na região. O prestígio de Bechara é inegável, com obras integrando coleções de instituições renomadas, como o Centre Pompidou, na França, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e a Pinacoteca de São Paulo.
Agora, o público capixaba pode apreciar “Falta” de forma gratuita, juntamente com as 33 outras obras do acervo do parque, que estão abertas para visitação de terça a sábado, das 8h às 17h, e aos domingos, das 8h às 15h. Esta instalação não apenas ativa a reflexão e a memória, mas também reafirma o papel da arte pública como um agente transformador no cotidiano das pessoas.
A influência das cores na arquitetura e design de interiores
O Espírito Santo também se destaca em um cenário de inovação no design e na arquitetura, com o evento “Tendências de Cores”, organizado pela Politintas. A iniciativa trouxe a Vitória as gigantes do setor Sherwin-Williams e Suvinil, que, além de apresentar catálogos, compartilharam pesquisas que decifram o espírito do nosso tempo.
Ambas as marcas reconhecem que estamos imersos em uma era de saturação e transição, onde a cor transcende a estética, tornando-se um recurso essencial para a saúde mental. A Sherwin-Williams, por exemplo, lançou o relatório bienal “Antologia Volume Dois”, que investiga o impacto emocional das cores ao longo do tempo, indo além da simples observação visual.
Com curadoria de Patrícia Fecci, a marca indica o Cáqui Universal (SW 0071) como a cor do ano, representando um neutro clássico que atende nossa busca por estabilidade em um mundo em constante mudança. O estudo está dividido em quatro caminhos cromáticos: os “Tons Esfumaçados”, que apresentam lavandas e azuis translúcidos para gerar ambientes leves; os “Tons Iluminados”, que trazem amarelos e dourados, evocando o calor do design de meados do século; os “Escuros Regenerativos”, que exploram tons profundos, como borgonha e preto, proporcionando conforto e acolhimento; e o “Clássico e Atemporal”, que aposta em neutros modernos para criar composições ricas em texturas.
Por sua vez, a Suvinil apresentou o conceito “Co(r)existir 2026”, que reflete a ideia de que “tudo muda a cor, e a cor muda tudo”. Durante a apresentação, Sylvia Gracia destacou a necessidade contínua de transformação em uma rotina acelerada, e apresentou duas cores principais que simbolizam forças opostas e complementares: Tempestade, um rosa acinzentado que abraça o drama e o lúdico, e Cipó da Amazônia, um verde-amarelado que nos reconecta ao coletivo e ao frescor da natureza.
O estudo da Suvinil ainda desdobra-se em paletas como “Sentir” (tons subversivos que desafiam a apatia), “Respirar” (brancos e off-whites que promovem a introspecção) e “Brincar” (cores primárias que recuperam o direito de descontrair na vida adulta). Isso deixa claro que colorir um ambiente é, acima de tudo, um gesto de cuidado tanto consigo mesmo quanto com o todo.

