Transformação na Tradição da Contação de Histórias
A contação de histórias, uma prática essencial da humanidade, desempenha um papel crucial na formação de memórias coletivas e na estimulação da imaginação e criatividade. Desde a infância, essa atividade contribui para o desenvolvimento do senso crítico. Contudo, com o avanço das novas tecnologias, especialmente entre os mais jovens, esse hábito tem sofrido transformações significativas.
Contar e ouvir narrativas é uma das formas mais antigas de expressão. A partilha de um sonho, de um causo ou de uma lembrança exige disponibilidade tanto do contador quanto do ouvinte. No entanto, a crescente concorrência pela atenção, provocada pelo uso constante de smartphones e outras telas, está alterando a dinâmica da contação de histórias.
A pesquisadora em educação pela USP, Ísis Madi, ressalta que a musicalidade da linguagem tem o poder de estabelecer uma conexão profunda com as crianças desde a gestação. Com o aumento do tempo que os pequenos passam expostos a dispositivos tecnológicos, a prática de contar histórias enfrenta desafios que se refletem em momentos cotidianos, como nas refeições em família:
Leia também: Concursos na Educação em 2026: Mais de 24 mil Novos Cargos Autorizados!
Leia também: Concursos na Educação 2026: Mais de 24 Mil Novos Cargos Autorizados
“É à mesa que compartilhamos nossas histórias — desde os relatos do dia a dia até aquelas que ouvimos quando éramos crianças. No entanto, esse momento de troca está se perdendo. Sinto que estamos perdendo a capacidade de concentração e de envolvimento com o que escutamos. Vivemos na era da produtividade e da rolagem incessante das telas, o que dificulta esses momentos de conexão e imaginação.”
O papel da arte na preservação da cultura
Ao longo de uma década, a atriz e autora de livros infantis, Adriana Nunes, tem trabalhado em escolas do Distrito Federal para reaproximar as crianças da experiência lúdica da contação de histórias. Ela destaca que a arte é fundamental para contar a história da humanidade e preservar tradições culturais:
Leia também: Investimentos em Saúde e Educação: Jerônimo Rodrigues Reforça Compromisso com Piatã
Leia também: Concursos na Educação em 2026: Mais de 24 Mil Novas Oportunidades Autorizadas!
“Através do medo, por exemplo, podemos contar histórias que ensinam a ter cuidado. Outras narrativas ajudam a perpetuar culturas; as lendas de diferentes povos mantêm vivas as tradições de cada nação.”
Em suas oficinas, Nunes apresenta a história do sabiá não apenas por meio de livros, mas também musicalmente, criando um ambiente lúdico que valoriza a contação de histórias sem depender da tecnologia. “Com o avanço das telas e da televisão, muitos desses elementos estão se perdendo. Contudo, quando temos a oportunidade de preservar essas narrativas, é extremamente gratificante. O brilho nos olhos das crianças é indescritível, e é lindo vê-las cantando e felizes ao ganharem um livro após a atividade.”
A importância dos espaços de leitura
Hórus, de apenas 7 anos e frequentador de uma biblioteca em Brasília, compartilha sua experiência com a leitura: “Gosto muito de ler em casa, é um dos meus lugares favoritos. Mas quando estou fora, se há um livro à disposição, também leio.”
Ícaro, de 8 anos, tem como leitura preferida os gibis do Pato Donald e da Turma da Mônica. Ele descreve uma de suas histórias: “A Mônica, o Cebolinha, o Cascão e a Magali foram brincar. Depois de um tempo, foram para a casa do vô, lá dentro tomaram suco de laranja e bagunçaram tudo.”
Espaços públicos de leitura, como a biblioteca visitada pelos meninos, são essenciais para cultivar a imaginação infantil e preservar a arte milenar da contação de histórias. Profissionais da educação e da arte continuam a lutar para manter essa tradição viva, mesmo diante dos desafios impostos pelas novas tecnologias.

