Reconhecendo o Legado de uma Grande Ícone do Carnaval
Na próxima sexta-feira, dia 23, o Teatro Alcione Araújo, situado dentro da Biblioteca Parque no Centro do Rio de Janeiro, sediará o ‘Seminário Carnavalesca Maria Augusta Rodrigues’. O evento, que está programado para começar às 10 horas, é gratuito e aberto ao público. A realização é da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SECEC), e o credenciamento para o evento terá início às 9h45.
O seminário é uma homenagem a Maria Augusta, um ícone do Carnaval brasileiro que, se estivesse viva, estaria completando 84 anos nesta data. Sérgio Almeida Firmino, Assessor Chefe de Carnaval da SECEC e idealizador do projeto, comentou que Maria Augusta era vista como a “mãe de todos” no universo das Escolas de Samba, assim como Fernando Pamplona foi considerado o “pai de todos”. A homenagem serve para reconhecer a contribuição de Maria Augusta na inovação e na elevação do Carnaval nacional.
A carnavalesca, graduada pela Escola Nacional de Belas Artes, deixou sua marca em desfiles memoráveis, especialmente nas escolas Salgueiro e União da Ilha. Além de sua atuação como carnavalesca, Maria Augusta também foi comentarista em diversos meios de comunicação e jurada no prestigiado troféu Estandarte de Ouro.
A primeira parte do seminário abordará o tema “Quem era Maria Augusta Rodrigues”, destacando a trajetória e a obra da artista. Especialistas no assunto, como Felipe Ferreira, professor e pesquisador de Carnaval da UERJ, bem como jornalistas como Flávia Oliveira e Marcelo Mello, estão confirmados para participar. Eles discutirão a importância de Maria Augusta, trazendo suas experiências e perspectivas sobre o impacto que ela teve no mundo do Carnaval.
Felipe Ferreira, que teve Maria Augusta como professora, ressaltou que um dos ensinamentos mais valiosos que recebeu dela foi a compreensão do Carnaval como um fenômeno cultural complexo que vai além dos desfiles: “Com ela aprendi que o Carnaval é um verdadeiro universo onde se cruzam diferentes saberes, como religiosidade, misticismo, estética e crítica social. Homenagear Maria Augusta é celebrar uma das nossas maiores intelectuais, que viveu intensamente seu amor pela cultura popular e pelo nosso Carnaval”, afirmou.
O encerramento desta primeira parte do seminário contará com a participação da icônica porta-bandeira Selminha Sorriso, da Beija-Flor de Nilópolis. Ela fará a declamação de sambas que homenageiam a carnavalesca, incluindo “Maria Augusta, Sorte e Carnaval” (1996) e “Maria Augusta, O Sonho nas Estrelas” (2004). Além disso, os puxadores mirins da Aprendizes do Salgueiro também prestarão suas homenagens, relembrando o desfile do ano anterior que celebrava a obra de Maria Augusta.
A segunda parte do seminário será dedicada ao tema “O Legado de Maria Augusta”. O painel contará com a presença de Luiz Carlos Magalhães, ex-presidente da Portela, e outros carnavalescos renomados como Leonardo Bora, Leandro Vieira, Alex de Souza e Annik Salmon. Luiz Carlos destacou sua conexão pessoal com Maria Augusta, mencionando que seu vínculo foi mais forte com os blocos do que com as Escolas de Samba. Ele afirmou: “Carnaval é uma coisa, é folia. Escola de Samba é outra coisa, é espetáculo. Essas duas coisas se encontram em fevereiro. Maria é isto, ela é fevereiro. Se eu pudesse, faria uma grande homenagem a ela na Sapucaí.”
Para encerrar o seminário, o grupo musical A Febre do Samba se apresentará, interpretando sambas que marcaram a carreira de Maria Augusta, incluindo “As Minas do Rei Salomão” (Salgueiro), “Vamos Falar de Amor” (Paraíso do Tuiuti), “Sonhos de Natal” (Tradição) e “Uni, Duni, Tê” (Beija-Flor). O cantor Ito Melodia também estará presente, cantando sucessos como “Domingo” e “O Amanhã” (União da Ilha).
Durante todo o seminário, o público terá a oportunidade de apreciar os croquis originais de Maria Augusta Rodrigues, uma verdadeira relíquia que representa sua contribuição e paixão pelo Carnaval.

