Oposição à Limitação do Crédito Cresce entre os Trabalhadores
A possibilidade de antecipar o saque-aniversário do FGTS é uma opção que muitos trabalhadores brasileiros não desejam perder. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC) em parceria com a Zetta, que representa as principais fintechs do Brasil, revelou que cerca de 70% dos brasileiros que se cadastraram para essa modalidade já a utilizaram ao menos uma vez. Mais impressionante é que nove em cada dez desses trabalhadores se manifestaram contrários ao término dessa alternativa de crédito. Para muitos, a antecipação é considerada uma solução de emergência para obter recursos em situações urgentes.
Outra questão relevante diz respeito ao Imposto de Renda, que poderá isentar cerca de 15 milhões de brasileiros com rendimentos de até R$ 5 mil. No contexto atual, 28 milhões de pessoas já haviam realizado a antecipação do saque-aniversário, o que torna esse tópico essencial para as discussões econômicas nacionais. Muitos trabalhadores relatam que a utilização desse crédito tem como principal finalidade o pagamento de dívidas urgentes, com 59% dos entrevistados citando essa razão. Outras necessidades, como despesas com saúde e medicamentos (19%), também são prioridades para quem opta pela antecipação.
O estudo conduzido pela AtlasIntel buscou entender a opinião do público sobre as novas diretrizes implementadas pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (CCFGTS), que entraram em vigor em outubro de 2025. Essas novas regras estabelecem limites anuais para antecipação (inicialmente cinco, reduzidos para três a partir de novembro de 2026), restrições de operações para cada trabalhador (apenas uma), valores mínimos e máximos por parcela (R$ 100 e R$ 500, respectivamente) e um período de carência de 90 dias para a contratação após escolher a opção do saque-aniversário.
A avaliação geral das mudanças é negativa. A pesquisa mostrou que 87% dos brasileiros que já utilizaram a antecipação se opõem às novas diretrizes governamentais. De fato, 80% dos entrevistados que já realizaram a antecipação discordam da limitação a apenas uma operação e acreditam que esses limites não ajudam a controlar o uso do saldo. Além disso, 50% dos entrevistados não consideram positivo o prazo de 90 dias de carência, enquanto 20% se mostraram indiferentes.
Embora a antecipação do saque-aniversário tenha se mostrado uma alternativa financeira competitiva, com taxas de juros acessíveis, o estudo aponta que seu uso tem sido moderado. Ricardo Barboza, economista-chefe da Zetta, comentou que entre os brasileiros que já optaram pela antecipação, apenas 38,6% utilizaram essa modalidade uma ou duas vezes, e mais de 60% fizeram uso do crédito até quatro vezes em seis anos de vigência. Segundo Barboza, a expectativa de que o crédito seria utilizado de maneira excessiva não se concretizou, de acordo com os dados coletados.
Alex Gonçalves, diretor de Crédito Consignado da ABBC, alegou que as restrições impostas à antecipação de recursos podem não ser necessárias. Ele enfatizou que as mudanças nas políticas de crédito podem dificultar o acesso ao recurso para aqueles que realmente precisam, forçando-os a recorrer a opções com taxas de juros muito mais altas. Gonçalves ilustrou essa situação afirmando que, após a implementação das novas regras, no primeiro mês, houve uma redução de 80% no volume de empréstimos concedidos pelos bancos. Para dezembro de 2027, as previsões indicam uma queda de 96%, o que pode inviabilizar essa linha de crédito. Além disso, ele destacou que, dos 28 milhões que utilizaram a antecipação, cerca de 10 milhões estavam desempregados e não tinham acesso a financiamentos privados.

