Rio de Janeiro domina cenário da mão de obra do petróleo
O Rio de Janeiro é a cidade que concentra o maior número de moradores atuantes na indústria de petróleo e gás, segundo uma pesquisa inédita com 24.532 profissionais do setor. Do total dos entrevistados, 17,4% residem na capital fluminense, seguida por Macaé (11%), Campos dos Goytacazes (7,15%) e Rio das Ostras (4,96%). Juntas, essas quatro cidades reúnem mais de 40% dos trabalhadores consultados.
Entendendo a força de trabalho na indústria petrolífera
Esses dados fazem parte do segundo boletim anual do Programa Macrorregional de Caracterização Socioespacial dos Trabalhadores (PMCST), que investiga o perfil dos profissionais ligados às operações de petróleo e gás nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo. A pesquisa coletou informações em 2024, consolidando-as em 2025, e abrange uma amostra que representa cerca de 38% da força de trabalho offshore das empresas consideradas.
Além de mapear onde os trabalhadores residem, o levantamento detalha os tipos de contratação, o trabalho embarcado e a participação feminina no setor. Destaca-se que 63,9% dos profissionais são terceirizados e 62% atuam embarcados, em plataformas ou instalações marítimas.
Importância regional do Rio de Janeiro para o setor petrolífero
A distribuição dos trabalhadores reforça a relevância do estado do Rio de Janeiro para a indústria petrolífera nacional. A capital concentra a maior parte dos moradores, enquanto municípios do Norte Fluminense — como Macaé, Campos dos Goytacazes e Rio das Ostras — desempenham papel fundamental na logística e nas operações de exploração.
Macaé, tradicional base da Bacia de Campos, lidera como segundo maior polo de residência dos profissionais, com 11% da amostra. Campos dos Goytacazes e Rio das Ostras aparecem a seguir, com 7,15% e 4,96%, respectivamente.
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Locais de trabalho e deslocamento dos profissionais
O estudo também identificou os principais locais de trabalho e rotas de deslocamento. Rio de Janeiro e Macaé são os municípios mais citados para atividades em terra, enquanto o Aeroporto de Farol de São Tomé, em Campos dos Goytacazes, surge como principal ponto de embarque aéreo. Entre os terminais portuários, o Porto do Açu, em São João da Barra, destaca-se como crucial para o setor.
Esses dados evidenciam como a indústria de petróleo e gás movimenta não apenas os locais onde as empresas estão instaladas, mas também as cidades que oferecem moradia, serviços e infraestrutura para o transporte dos trabalhadores.
Terceirização e trabalho embarcado predominam no setor
Um ponto relevante da pesquisa é a alta proporção de trabalhadores terceirizados, que representam 63,9% dos entrevistados. Essa característica reflete a complexidade da cadeia produtiva do petróleo, envolvendo atividades técnicas, manutenção, transporte, logística e apoio operacional.
A modalidade de trabalho embarcado, que exige frequentes deslocamentos entre a residência e as unidades marítimas, também é significativa, abrangendo 62% dos profissionais. Essa dinâmica reforça a importância de aeroportos, heliportos e portos do Rio de Janeiro para o funcionamento da indústria.
Desigualdade de gênero no trabalho embarcado
A participação feminina na indústria de petróleo e gás ainda é reduzida. As mulheres correspondem a 16,7% do total dos pesquisados, mas representam apenas 6% entre os trabalhadores embarcados, que atuam em plataformas e outras estruturas marítimas.
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Fonte: feirinhadesantana.com.br
Essa diferença expressiva revela uma predominância masculina nas funções mais exigentes e remotas da indústria, indicando desafios para ampliar o acesso das mulheres a essas atividades.
Objetivo do PMCST e impactos para as cidades
O Programa Macrorregional de Caracterização Socioespacial dos Trabalhadores (PMCST) foi criado para monitorar o perfil e os deslocamentos dos trabalhadores do setor de petróleo e gás, integrando as ações de licenciamento ambiental federal conduzidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O programa busca ir além da simples contagem de empregos gerados, identificando onde os profissionais residem, trabalham, embarcam e recebem formação. Isso permite um entendimento mais amplo dos efeitos da atividade petrolífera sobre os municípios envolvidos.
Para Eliza Barbosa, coordenadora do PMCST, a pesquisa revela aspectos que não aparecem nos estudos ambientais tradicionais. “O levantamento informa quais locais são mais demandados para embarque, trabalho e moradia, além de destacar municípios que se sobressaem na formação da mão de obra e a presença de estrangeiros no setor. Esses dados vão além da simples geração de empregos, trazendo informações relevantes para o planejamento e gestão ambiental”, explica.
O segundo boletim anual do PMCST, divulgado pelo portal Informa Petróleo, oferece um panorama detalhado do perfil socioeconômico, vínculos de trabalho e distribuição da mão de obra nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo.

