Tecnologia a Favor da Saúde dos Pacientes
“Parece que estou em Curitiba!”. Foi assim que Antônio Santiago Pereira, um dos pacientes do CER Leblon (Coordenação de Emergência Regional), descreveu sua experiência ao usar um óculos de realidade virtual. Transportado para a região Sul do Brasil enquanto pedalava em um ambiente de montanhas e rios, Antônio sentiu-se relaxado e distante do estresse hospitalar. Essa tecnologia, reconhecida mundialmente, está sendo implementada na unidade como um recurso para auxiliar na reabilitação física, prevenção de delírios e humanização dos pacientes do Centro de Terapia Intensiva (CTI).
Mais de 60 pacientes já vivenciaram essa experiência inovadora no CER Leblon, que está alinhado com protocolos já testados em hospitais universitários de países como Alemanha, Estados Unidos, Canadá e Japão. A utilização da realidade virtual tem sido essencial para suavizar a experiência de internação, facilitando um ciclo mais eficiente de tratamento e recuperação. Essa abordagem não só contribui para a melhoria clínica, mas também ajuda na desospitalização, essencial em tempos onde o tempo de internação precisa ser minimizado.
A experiência de Antônio é apenas um exemplo do impacto positivo que a realidade virtual pode ter. “Parece que eu estava em casa e não aqui no hospital. Faz muito tempo que andei de bicicleta. Me lembrou um tempo em que viajava para Curitiba”, recordou ele, que foi internado com um quadro de doença pulmonar obstrutiva crônica. Graças ao suporte da equipe médica e à tecnologia do óculos, ele conseguiu recuperar sua autonomia e recebeu alta.
Integração da Realidade Virtual no Ambiente Hospitalar
Os profissionais de saúde do CER Leblon, em colaboração com a equipe de fisioterapia, desenvolveram um estudo para integrar a realidade virtual na rotina hospitalar. Desde a fase de testes até a autorização para uso, as vantagens dessa tecnologia rapidamente se tornaram evidentes. Isso motivou a criação do projeto interno chamado “Redução de Delírio”, focado em pacientes que apresentam sinais de desorientação e confusão. O diretor da unidade, Berguer Guimarães, ressalta que a realidade virtual tem mostrado eficácia na redução da incidência e duração do delírio hospitalar, proporcionando estímulos cognitivos, sensoriais e motores controlados.
“Do ponto de vista científico, pesquisas indicam que a realidade virtual melhora o engajamento dos pacientes, favorece a neuroplasticidade e acelera a recuperação funcional. Ao ativar áreas motoras e sensoriais do cérebro, essa tecnologia se mostra mais eficaz do que exercícios convencionais, além de aumentar a adesão às terapias”, explicou Berguer.
Antes de participar das sessões de realidade virtual, os pacientes passam por uma avaliação da equipe médica e de fisioterapia. Apenas aqueles que estão alertas, cooperativos e em condições adequadas de saúde têm a chance de explorar essa nova realidade. As opções de ambientes variam desde parques de diversões até passeios relaxantes em rios e natureza. Os profissionais também monitoram criteriosamente a pressão arterial e a frequência cardíaca para garantir a segurança durante as sessões.
Depoimentos de Pacientes
O primeiro paciente a experimentar o óculos de realidade virtual foi Clébio da Silva, que, desde o nascimento, convive com problemas cardíacos. Após uma piora no quadro de saúde, ele foi internado e sentiu a falta da vida lá fora. “Faz tempo que não vejo o céu, o sol e a rua. Coloquei o óculos e vi montanhas, riachos e até tartarugas. O céu me lembrou da minha vida fora daqui. A realidade virtual me trouxe paz e tranquilidade”, compartilhou Clébio, que foi posteriormente transferido para um hospital especializado em cardiologia para realizar uma cirurgia de troca de válvula.
O CER Leblon é um exemplo de como a saúde 4.0 pode ser aplicada no atendimento ao paciente, unindo tecnologia e cuidado. A unidade não apenas utiliza a realidade virtual, mas também implementa outras inovações, como tablets que facilitam videochamadas entre pacientes e seus familiares, além de uma inteligência artificial chamada R.A.F.A, que ajuda a equipe a entender melhor as necessidades dos pacientes. O Hospital Municipal Miguel Couto, vizinho ao CER Leblon, também começou a testar o uso de óculos de realidade virtual em sua rotina.

