Celebração Une Religiosidade e Cultura Carioca
A devoção a São Sebastião está profundamente enraizada na história do Rio de Janeiro desde sua fundação, há mais de 460 anos, quando a imagem do santo foi trazida pelo fundador Estácio de Sá. Essa fé persiste ao longo das gerações nas residências cariocas, mantendo-se viva no cotidiano dos moradores.
Maria Aparecida Martins, uma dedicada inspetora de alunos, compartilhou seu carinho pelo santo: “Sou muito devota de Nossa Senhora Aparecida, mas São Sebastião tem uma importância muito grande na minha família. Vem de muito antes, da minha mãe.” Essa conexão pessoal reflete um sentimento comum entre muitos fiéis que participaram da procissão.
São Sebastião, um capitão do exército romano, é lembrado por sua coragem ao defender os cristãos durante um período de severas perseguições. Condenado a ser alvejado por flechas, ele sobreviveu milagrosamente, tornando-se um símbolo de resistência e triunfo diante das adversidades — características que ressoam fortemente com a identidade carioca.
No dia da festividade, o Santuário de São Sebastião, localizado na Tijuca, recebeu milhares de fiéis desde as primeiras horas da manhã. As missas iniciaram às 5h e seguiram ininterruptamente, com a igreja repleta de devotos que buscavam celebrar e reforçar sua fé.
À tarde, a imagem de São Sebastião saiu em procissão pelas ruas, acompanhada de aplausos e vivas dos participantes, além de uma chuva de pétalas de rosas que simbolizava a devoção e alegria do momento.
Arlete, uma fiel que acompanha a procissão há impressionantes 90 anos, estava visivelmente emocionada, refletindo o amor e a tradição que cercam este evento. Um visitante francês também se deixou envolver pela atmosfera. “Para mim, é maravilhoso. Na França, o catolicismo não é tão importante hoje. No Brasil, é sempre vivido”, comentou, admirado com a intensidade da celebração.
Quando a procissão chegou ao Estácio, berço do samba carioca, houve uma pausa especial que uniu fé e carnaval. O cardeal arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, abençoou os estandartes das escolas de samba e os sambistas presentes, em um momento que simbolizou a unidade entre a religiosidade e a cultura popular.
Os representantes das agremiações cercaram a imagem de São Sebastião com bandeiras, criando uma cena emblemática que destacou a relação íntima entre o padroeiro e a cultura carioca. Para muitos, São Sebastião é considerado “o mais carioca de todos os santos”, uma figura que transcende a espiritualidade e se entrelaça com a identidade da cidade.

