Críticas à Indicação de Jorge Messias
O senador Hamilton Mourão, ex-vice-presidente e membro do Republicanos-RS, manifestou sua reprovação à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), posição que ficou vaga após a saída de Luís Roberto Barroso. Em entrevista ao R7, Mourão não hesitou em afirmar que votará contra Messias, ressaltando que, embora ele possua habilidades, não está apto para o cargo de ministro da Suprema Corte.
Durante a conversa, Mourão declarou: “Não considero que ele tem condições para ser ministro da Suprema Corte. Ele pode ter muitas capacidades, mas não para isso. Por isso, voto contra ele.” A resistência do senador também se deve ao histórico político de Messias, que tem buscado apoio entre os senadores. Mourão se mostrou firme ao recusar encontros com o advogado-geral da União, alegando que Messias não conseguiria convencê-lo a mudar de posição.
“Acho que ele deveria ter recusado a indicação. Não se trata apenas de uma questão de conduta ilibada, mas também de sua militância política em favor do Partido dos Trabalhadores, o que, na minha visão, compromete sua imparcialidade como magistrado”, opinou.
Expectativas e Desafios da Sabatina
Questionado sobre a expectativa para a sabatina de Messias, Mourão apontou que o processo é mecânico e precisa de mais profundidade. “A sabatina deveria incluir várias etapas, não apenas uma sessão na Comissão de Constituição e Justiça, como acontece nos Estados Unidos, onde o processo leva meses e envolve diversas comissões”, argumentou.
O senador acredita que Messias não contará com o apoio necessário na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, independentemente do parecer, sua nomeação será discutida no plenário. Mourão continuou afirmando que Messias tentou entrar em contato com ele em várias ocasiões, mas reafirmou que não tem interesse em reuniões.
Perspectivas para o Congresso e o Cenário Político
Mourão também comentou sobre as prioridades do Congresso após a janela partidária. Ele enfatizou a necessidade de abordar reformas pendentes, como a reforma política e a atualização do Código Civil, além de se manifestar sobre a CPI do Crime Organizado, que enfrenta dificuldades no andamento de seus trabalhos.
“A CPI só tem mais uma semana e, sinceramente, o atual formato limita a eficácia do trabalho. Deveria ocorrer com maior frequência e profundidade para realmente investigar as irregularidades”, criticou. Para Mourão, o instrumento da CPI, nesses moldes, não está conseguindo cumprir seu papel investigativo necessário.
Expectativas para as Eleições de 2026
Em relação às eleições de 2026, o senador comentou a reorganização dos palanques estaduais, com ênfase na candidatura do deputado Luciano Zucco no Rio Grande do Sul. Ele também previu uma disputa acirrada no cenário nacional entre Flávio Bolsonaro e Lula, apontando que a candidatura de Flávio está bem consolidada e pode ser competitiva.
Divisões na Direita e Desafios Internos
Sobre a crescente divisão na direita, especialmente nas redes sociais, Mourão defendeu que as disputas devem ser tratadas com mais seriedade e diálogo pessoal. “A briga online não resolve nada; é preferível conversar diretamente”, sugeriu. Ele citou conflitos recentes entre figuras proeminentes, como Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira, como exemplos de desavenças que não trazem benefícios ao movimento.
Cenário Econômico e Desafios Futuros
Por fim, Mourão abordou as dificuldades que o próximo presidente enfrentará em 2027, mencionando a necessidade urgente de ajustes nas contas públicas, especialmente devido ao endividamento acumulado. “Quem assumir ano que vem encontrará uma bomba-relógio, que é o débito fiscal deixado pelo governo Lula”, afirmou.
Ele ainda criticou a abordagem atual do governo em relação à economia, especialmente no que tange ao pacote de medidas para lidar com o aumento dos combustíveis, ressaltando a falta de estratégia de longo prazo e compreensão das consequências externas, como a guerra no Oriente Médio.

